Escrito por Maria Firmina dos Reis em 1859, “Úrsula” é um dos primeiros romances que se tenha registro escrito por uma mulher no Brasil. O enredo conta a história do amor entre Úrsula e Tancredo, que precisam passar por diversos obstáculos para ficarem juntos.

Apesar da história central não ser muito diferente do que foi escrito nesse período literário, o livro tem uma mensagem abolicionista muito interessante, principalmente por a autora permitir que os próprios personagens escravizados emitam opiniões sobre sua condição. Além disso, o narrador onisciente também ajuda a reforçar o tom político da obra, tecendo comentários sobre o comportamento das personagens e seu destino. E tudo isso escrito por uma mulher negra antes da abolição!

Gostei muito da minha edição da Penguin Companhia, de 2018. Além de ser em um formato de bolso (que eu adoro por sempre carregar um livro comigo, à la Rory Gimore), ela tem um prefácio muito completo, não só sobre o livro em si, mas também sobre a autora, uma mulher negra, criada somente por mulheres e professora! É ali também que aprendemos que a obra foi esquecida durante muitos anos, sendo resgatada somente em 1975.

Ler “Úrsula” foi uma experiência muito legal do ponto de vista histórico e me fez pensar nas formas de resistência que foram (e são) invisibilizadas. O que mais existe e não conhecemos? Quantas outras Marias Firminas ainda vamos descobrir?

Ilustradora, resenhista, escritora | [email protected] | Website

Apaixonada por histórias em seus mais variados tipos. Tem tendência a exagerar e a ser dramática. Geralmente está obcecada por alguma coisa, o que pode ser o amor de uma vida inteira ou uma paixão passageira. Estranhamente é uma mistura de Lufa-lufa com uma pontinha de Sonserina. Vai entender.

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