Um pequena pausa na urgência para respirar. É um desejo simples que me pego repetindo no dia a dia.
Só cinco segundos para tomar de volta as rédeas da vida, dos pensamentos, da narrativa. Eu abro os olhos e para cada segundo foi-se algo. E eu nem sei o quê, mas sinto que nunca mais. E pensando no nunca mais, passam mais duas coisas importantíssimas, nobilíssimas, urgentíssimas. E tentando correr atrás, são mais vinte que fogem de mim. Em pouco, são mais tantas que a memória me falha. E no acúmulo de dias, parecem ser infinitos.
Eu não consigo consumir arte, em qualquer que seja sua forma, com urgência. E ultimamente tenho pensado no que é urgente como o que é necessário para viver. Urgente é aquilo que preciso para continuar respirando.
No entanto, quando tudo é urgente…
Eu só preciso de uma pausa, mesmo que pequena, para respirar. Para olhar de novo e para pensar.
Com algum atraso, talvez poético ou acidental, a edição 50 da Pólen tem o tema Urgente e é feita para aqueles que, como nós, só querem um pouco de paz.
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