Devo confessar que é difícil saber o que escrever. Venho esperando esse livro há algum tempo, pois faço parte de uma comunidade que nasceu em torno do canal que Hank Green e seu irmão John Green (sim, aquele que também escreve) possuem no YouTube. Nós, os Nerdfighters, sabíamos que um livro seria lançado, mas tínhamos poucas informações em relação a ele. Por conta disso, pulei para agarrar a chance quando recebemos a possibilidade de resenhá-lo e estava cheia de expectativas.

Depois de tanta espera o que posso dizer sobre ele? “Uma coisa absolutamente fantástica” não é como imaginava e adorei isso.

Vou tentar falar sobre o livro sem revelar muita coisa, pois esse é um daqueles livros que fica muito mais legal de se ler pela primeira vez quando sabemos pouco sobre ele, mas vamos lá. Um dia, nossa protagonista, April May, encontra algo que ela imagina ser uma estátua de um robô gigante na volta do seu trabalho. A coisa é incrível, então ela decide chamar um amigo, que tem um canal no YouTube, para documentar tudo. No dia seguinte, ela descobre que ficou famosa da noite pro dia, pois outras dessas coisas começaram a surgir no mundo todo e ela foi a primeira a documentar o fato. A partir daí vamos acompanhando o que se desenrola, observando os efeitos que a fama, as redes sociais, o radicalismo e o medo vão causando na vida dela e das pessoas a sua volta.

O livro é uma ficção científica, mas não deixa de ser muito real e atual. Durante toda a leitura me questionei sobre minha relação com as redes sociais e a tecnologia e como ela muitas vezes não é tão saudável. Ao mesmo tempo, Hank não apresenta uma visão inteiramente negativa, mostrando também os aspectos positivos desse relacionamento, como a possibilidade da criação de comunidades e o uso dessas ferramentas para a solução de problemas, por exemplo. Fiquei bastante surpresa com como essa leitura mexeu comigo, e a maneira como ela dialoga com o nosso mundo. Em dado momento, o livro aborda a radicalização e a polarização do discurso e é assustador o paralelo entre a ficção e a realidade. O resultado é que terminei o livro com vários questionamentos e ligeiramente desnorteada. Vale a pena.

Recomendo esse livro para todos, principalmente para quem quer pensar o momento atual e talvez encontrar soluções para ele. Hank Green já anunciou que “Uma coisa absolutamente fantástica” terá uma continuação e já estou ansiosa para lê-la.

Ilustradora, resenhista, escritora | [email protected] | Website

Apaixonada por histórias em seus mais variados tipos. Tem tendência a exagerar e a ser dramática. Geralmente está obcecada por alguma coisa, o que pode ser o amor de uma vida inteira ou uma paixão passageira. Estranhamente é uma mistura de Lufa-lufa com uma pontinha de Sonserina. Vai entender.

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