por Veridiana Lutti
Você já se pegou torcendo por uma personagem não tão boazinha? Tem vezes que acontece
até com o vilão, como por exemplo, o Loki, no filme Thor ou mesmo como o “mocinho” ou
“mocinha” da história passa por momentos específicos de “maldade”. Sabe quando a gente
fica feliz que a Cady Heron, personagem da Lindsay Lohan em Meninas Malvadas, planejou
uma vingança contra Regina George? Ou quando você se realiza com os planos
“maquiavélicos” de Gruu e sua trupe de Minions? Então, é desses momentos que estamos
falando.
Como pode a gente apoiar e, até mesmo torcer, por essa pessoa que está em cena fazendo
algo errado? No dia a dia é certeza que se você visse alguém confabulando um plano de roubo,
como em Onze Homens e Um Segredo, a denúncia seria primeira opção. Mas é aí que está a
graça do cinema, esse mundo de oportunidades que tem poder de te convencer da história
contada a um ponto que te permite apoiar algo que não faria e na vida real.
É claro que quando a maldade é injustificada, exagerada ou aterrorizante isso não vai
acontecer. As grandes maldades cinematográficas causadas por um serial killer, ou até mesmo
um palhaço, como em IT – Uma Obra Prima do Medo, etc, não vão convencer. Personagens
assim são levados ao extremo e trazem com exagero a maldade na construção deles próprios.
A proposta mesmo são os momentos que iremos chamar de “maldade real”, aquela que
acompanha todo ser humano no dia a dia.
Sim, não precisa ter vergonha, é natural ter aquele momento de raiva extrema ou pontinha de
inveja, isso não o torna uma pessoa pior. O grande ponto é o que é feito com essa energia
canalizada. Na nossa vida não é certo fazer simplesmente o que tem vontade, mas nos filmes
não, lá tudo é permitido, então é por isso que nos apegamos e apoiamos os acontecimentos.
Além do mais, você apoia a decisão “incorreta” porque conhece toda a história daquela pessoa
e compreende que as atitudes dela têm fundamentos.
Por ser um filme você pode ficar tranquilo, não se sinta mal, a verdade é que não precisamos
dividir as pessoas em boas e más. Como é bastante abordado em toda a saga Star Wars todos
temos dentro de nós o lado negro da força, a grande questão é o que fazemos com isso. Uma
opção seria nos tornarmos Jedis, mas como não é possível nos resta compreender as
sensações e trabalhar com elas.
Já que diferente do mundo real no cinematográfico a graça está nos pontos extremos não
sinta-se culpado por gostar de um pouco de maldade ou apoiar decisões erradas nos filmes.
Quer um exemplo? Em Corra Lola, Corra você acompanha diversas tomadas de decisão pouco
ortodoxas e bastante questionáveis, mas com toda certeza vai querer que ela corra sempre
mais. Deadpool, outro exemplo, define como objetivo de vida perseguir o responsável pela sua
mutação e para isso é capaz de matar tudo e todos. Você faria isso? Bem provável que não,
mas ao assistir o filme é certo que você o defenderá.
O grande ponto então é que o cinema permanece sim tendo muito o que nos ensinar e nos
comover. A graça dele está nisso e não precisamos de definições e estipulações engessadas
que se preocupam com julgamentos. Talvez seria válido também praticarmos em nosso dia a
dia a paciência que damos aos filmes para compreender. Há sim muitos momentos da vida real
em que o ódio toma conta e acaba por determinar tudo como ruim sem antes entender.






