Faz seis anos que não vou à praia.
A minha relação com o mar é intrínseca, porque meu nome é Marina. Às vezes me pergunto se meus pais sabiam que ser Marina seria a explicação para as coisas que vivem dentro de mim, as coisas tristes que vivem em lugares que finjo que não conheço.
Eu recorro ao oceano para me equilibrar. À noite, o meu lugar físico confortável é a minha cama, mas o meu lugar imaterial confortável são as ondas que quebram em uma costa que não sei qual é. Gosto de meditar usando o app Pacifica, em que posso escolher qual trilha ambiente quero ouvir. Eu escolhi ondas desde o início, há mais de um ano. Não, não me canso. Não dá para se cansar de algo que é seu. Eu sei, enquanto respiro calmamente, que o mar é o meu lugar – muito além de confortável: ele é confiável. As ondas, em algum momento, vão voltar. O som vai desaparecer. Mas o amor, ah, ele continua.
Continua, também, o que sinto quando encontro as cores no céu nos fins de tarde. Eu sei que muita gente gosta do amanhecer, acho que porque ele dá a ideia de um nascimento. E eu entendo – a gente tende a querer se agarrar à vida, sabendo que ela é tão efêmera quanto um milissegundo. Mas, quando olho o azul celeste se tornando alaranjado, lembro que o que está acontecendo está acabando para algo novo renascer. No pôr do sol, posso respirar fundo e lembrar que tudo bem se o que eu quis que acontecesse não deu certo. Posso, também, lembrar que está tudo bem. Às vezes, o dia acaba bonito, brilhante. Às vezes, escuro e retumbante. Mas o importante é que acontece. Não importa como aquele momento terminou, a possibilidade vai renascer.
No fim, é isso que eu procuro tanto no oceano quanto no pôr do sol. O conforto de um renascimento.
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Escritora sonhadora dotada de blue feelings. Quer muitas coisas ao mesmo tempo. Acredita nas palavras mais do que na imagem. Não acredita na divisão das casas de Hogwarts, mas tem certeza de que é 70% Ravenclaw, 20% Hufflepuff e 10% Gryffindor.






