Marta Goés entrevistou Fernanda Montenegro entre julho de 2016 e novembro de 2017. E entre novembro de 2017 e agosto de 2019, a atriz escreveu Prólogo, ato, epílogo a partir do material recolhido e transcrito pela jornalista.
Revistar o passado não me parece uma tarefa simples, especialmente se estamos falando da nossa própria história. Não é apenas um examinar dos anos, mas um reviver das próprias emoções, dos afetos e das pessoas que nos fizeram ser quem somos. E é com bravura e graça que Arlette Pinheiro da Silva Torres, nossa querida Fernanda Montenegro, cumpre essa missão.
As memórias de Fernanda, como em uma grande peça de teatro, são divididas em atos. Neles, somos apresentados às diferentes fases da artista, desde a origem de sua família formada por imigrantes, até a concepção de sua descendência brasileira, passando pelo início e a consagração de sua carreira.
Fernanda encarna o melhor do Brasil. Não surpreende que alguém que passou a vida memorizando textos tenha desenvolvido notável capacidade de rememorar com sutileza fatos ocorridos décadas atrás. A atriz que há anos encanta multidões em palcos e telas pelo mundo agora se mostra uma contadora de histórias de mão-cheia (Companhia das Letras).
Cada escolha de palavras feita pela atriz ressalta a doçura de sua abordagem, mas não tira a seriedade e a potência de diversos momentos importantes de sua história, e também da história do Brasil. Pois, mais do que as memórias de Fernanda, Prólogo, ato, epílogo trata das memórias de nosso país, em suas lutas e glórias.
A leitura é essencial nos dias de hoje, não apenas para conhecer e celebrar a vida da grande dama do teatro brasileiro, mas para compreender o seu papel e o papel da arte em nossa sociedade.
Assim, Fernanda Montenegro nos empresta mais do que suas memórias, mas também força e esperança para os próximos 90 anos.






