Acordar cedo, trânsito, 8h de trabalho, trânsito, academia lotada, mercado lotado, trânsito, chefe mandando mensagem, chefe ligando, 20 mensagens não lidas no Whatsapp, notificação do Facebook, Twitter, Instagram, Tinder, e-mail, lançamentos para acompanhar, livros para ler, músicas para ouvir, filmes para ver.

Parece que não acaba nunca.

Essa infelizmente é a rotina de muitas pessoas. E se não é a sua, sinta-se sortuda, pois é exatamente assim que meu dia a dia funciona.

A cada dia que passa, parece que as coisas se tumultuam cada vez mais, mais preocupações e obrigações surgem e acabamos nos atolando em coisas para fazer. Mas se tem uma coisa que descobri nos últimos meses é que não tem nada como chegar em casa, colocar uma música para tocar enquanto você faz o que você gosta e não pensa em absolutamente nada.

Sempre tive uma admiração muito grande por quem consegue fazer meditação, por quem consegue ficar sentado naquela posição extremamente desconfortável durante muito tempo e simplesmente não pensar em nada.

Eu sempre quis fazer meditação, mas sabia que ficar sentada naquela posição ia começar a me doer a bunda e eu não ia conseguir ficar sem pensar em nada, porque a dor na bunda ia me desconcentrar. Até que não lembro quando, não lembro onde, vi algo sobre a meditação poder ser praticada de qualquer jeito, seja em pé no ônibus lotado, seja em um ambiente paradisíaco no meio da natureza, seja em casa lavando louça.

Foi aí que o jogo virou.

Hoje, minha casa virou meu lugar de segurança e conforto. Sei que estou segura aqui dentro, sei que tenho tudo o que preciso aqui e tento cuidar de tudo isso com muito carinho. Enquanto faço isso, esvazio por completo a mente.

Chegar em casa para mim hoje é o momento de silêncio no qual deixo absolutamente tudo do lado de fora e faço tudo o que tenho de fazer com a mente completamente vazia. E sempre termino o dia deitando na cama com alguma bebida quentinha ou uma cerveja e ficando satisfeita.

Minha casa é minha tomada, onde recarrego minha bateria e me preparo para o dia seguinte. Estar aqui e cuidar disso tudo é uma forma de auto amor, é uma forma de cuidar de mim mesma, é uma forma de fazer bem para mim e para quem vem aqui aproveitar de toda essa paz comigo.

Fotografia: Luísa Granato

Escritora

Maria Marcela é paulistana, lê demais e pensa demais. É Grifinória de corpo e alma, mas com um pézinho ali na Corvinal. Literatura e escrita são sua terapia. Viciada em Twitter (@marcelacps).

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