Quando declarei o fim de nós duas
Sentada naquele café, em meio ao vento
Não fazia ideia da amplitude que tomaria
Esse nosso rompimento
Nunca pensei que ia sentir falta
Da sua cabeça,
Que estava sempre ali,
Para eu fazer cafuné
Nem do caminho entre sua casa e o metrô
Que no domingo a gente fazia à pé
Ninguém me preparou para a falta
Do piano imaginário que você tocava
Em minha perna, de baixo da mesa
Ou da forma comprimida que tomavam seus lábios
Quando lhe batia aquela tristeza
Não previ essa vontade incômoda
De ligar pra saber como foi sua semana
Se deu certo no trabalho,
Se assistiu o episódio novo
Daquela série boba que a gente secretamente ama
Quando sentei com você naquele café
(lembra do frio, como chovia?)
Eu não tinha me dado conta da sua presença
Fragmentada
Em cada hora do meu dia.
– Marina Vieira Souza
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