Aprendemos logo no início de “Os meninos de Nápoles” que a palavra paranza tem vários significados em italiano. Dois deles são: um prato de vários tipos de peixes pequenos fritos e uma espécie de gangue ligada à máfia camorrista. E é sobre esse segundo que se trata o livro, que não por acaso se chama no original “La paranza dei bambini” (algo como A paranza das crianças). Nele, acompanhamos um grupo de garotos que querem ter o poder da máfia, mas se espelhando em filmes e jogos e com a inconsequência, e até mesmo inocência, característica dos adolescentes.
O autor, Roberto Saviano, investigou a máfia por muitos anos, publicou sobre ela e hoje vive sob escolta permanente pelo seu trabalho e isso transparece no texto, resultando em um livro muito real e envolvente. O que também contribuiu para minha imersão foi que, apesar de retratar uma realidade muito diferente da minha e lidar com muita violência, o comportamento dos garotos não deixa de se muito semelhante ao de um certo tipo de menino adolescente. Sua impetuosidade, inconsequência e até mesmo crueldade parece o superlativo de algumas pessoas com quem tive que conviver na escola, sendo que a principal diferença seria que os meninos da paranza têm muito mais poder e estão armados. Talvez essa tenha sido a parte mais assustadora da história para mim.
O ritmo do livro é muito rápido, mas precisei de algumas pausas depois das cenas mais fortes. Apesar disso, o livro é muito bom e ao final, somos deixados em suspenso, esperando para saber para onde a trama levará, afinal, essa é a primeira parte da história. Aguardo ansiosamente pela sequência.
Post relacionados:
Apaixonada por histórias em seus mais variados tipos. Tem tendência a exagerar e a ser dramática. Geralmente está obcecada por alguma coisa, o que pode ser o amor de uma vida inteira ou uma paixão passageira. Estranhamente é uma mistura de Lufa-lufa com uma pontinha de Sonserina. Vai entender.






