Essa noite sonhei com o nosso primeiro encontro.
Sonhei que talvez eu podia levá-la para um encontro para que você descobrisse o que sente por mim. Porque é isso que as pessoas fazem quando se conhecem e quando acham que vão se apaixonar. Já me apaixonei, mas você talvez não.
Eu a levaria ao cinema do meu shopping favorito, mesmo que eu já tenha me esquecido como chegar lá. Por você, eu desenharia um mapa. Eu levaria um cachecol grande na mochila, porque talvez você se esqueça do casaco e sinta frio lá dentro. Compraria pipocas, mesmo que você dissesse que não precisava. Eu as comeria de qualquer forma.
Nesse primeiro encontro, eu lhe perguntaria tudo que eu ainda não sei. E não é porque eu sei que você gosta destas perguntas. É porque ainda não lhe conheço suficiente. Eu quero saber sobre a sua infância, se você já ralou o joelho direito e se você já comeu areia. Eu quero saber se você também gostava de Power Rangers, Três Espiãs Demais ou Pokémon. Eu quero saber dos seus sonhos quando eles ainda eram maiores que você. Quero saber da sua história, do seu mapa astral, do que você é feita.
Eu também lhe olharia, finalmente, sem disfarce. Do jeito que só eu olho quando me apaixono. Porque como você já me disse, ninguém ama como eu. Eu enterraria as mãos no bolso da calça para controlar o nervosismo. Riria alto para não ouvir o meu coração descontrolado. Tropeçaria nos próprios pés e nas próprias palavras. Esbarraria o meu ombro no seu por desastre. Faria tudo que não faço desde os 17 anos, quando descobri o que era amor. E finalmente sorriria feliz por voltar a sentir aquele frio na barriga com as borboletas que eu não poderia conter.
Eu deixaria você escolher o filme, honestamente torcendo para que seja uma escolha em comum. Pagar-lhe-ia um sorvete depois da sessão, uma desculpa para reclamarmos da sua má escolha, rindo internamente porque nada daquilo nos interessa.
Propositalmente, o nosso filme seria a primeira sessão da noite, porque ainda precisaríamos de tempo para ver as estrelas ao som de Borns. Você me disse uma vez que Garrett Borns dá-lhe vontade de ver as estrelas. E as veríamos. Depois de um encontro inteiro vendo estrelas onde não tinha por causa do meu coração apaixonado, finalmente eu veria as do céu.
Talvez nesse momento eu lhe beijaria, porque, dando certo ou não, seria um momento memorável. Serviria nem que fosse de recordação. Como o melhor primeiro encontro que já tive, competindo fácil com outros 300 que nem me lembro quando foram.
Vou pular a parte dos detalhes do beijo, porque eu nunca sei imaginar isso de forma verossímil. Você ainda é uma pessoa imprevisível.
Eu lhe acompanharia até o seu ponto de ônibus, e esperaria você partir. Então, eu também partiria, vendo não só as estrelas do céu, mas também as do meu coração.
Eu sei que alguns sonhos não viram realidade, alguns amores não atingem o alvo, e que eu tenho lhe desejado muito, você não sabe como. Você me tem vendo estrelas, mais brilhantes do que nunca, como os diamantes. Eu sei, eu sei, e eu (sinto que) preciso de você. Não há nenhuma canção, a não ser esta na sua cabeça, que me traduza agora.
Sobre a autora: Ana de Oliveira é da safra de 96, e da cidade planejada, Brasília. É de Lisboa também, mas não de nascença, é de alma. É escritora por insistência do destino (Deus quis), mas ama o que faz e confessa que não sabe lá fazer muita coisa além de literatura. Colaboradora do site #acervolivre, tem um instagram de bobeirinhas literárias (anadeoliveira29, aliás). Gosta de adotar projetos e parcerias. Coleciona chapéus, livros, CD’s, fotos, ingressos e chaveiros (coleções das coleções). É leonina, mas é gente boa.







