Livros são sentimentos e experiências. Desde que eu me tornei uma leitora, todo livro que eu li foi uma experiência diferente, com seus sentimentos diferentes. Sentimentos esses que variam desde o amor extremo ao ódio.
Lembro de quando li Uma Vida Pequena, da Hanya Yanagihara, eu estava passando por um término, um momento muito triste e confuso da vida. A tristeza e a confusão daquele livro me fizeram companhia por alguns meses durante a leitura e, ao final, eu chorei tudo o que tinha para chorar, pela minha vida e pela dos personagens.
Lembro também de quando li O Castelo de Vidro, da Jeanette Walls, e de todo o ódio que senti dos pais dela, do quanto eu tinha vontade de dar com o livro na cara deles e falar “acorda, vão cuidar dos seus filhos”. Tudo isso porque eles me lembravam um casal que morava na frente da casa dos meus pais que criou os filhos com a mesma falta de cuidado que eles.
Livros têm essa capacidade de aflorar todo o tipo de sentimentos em nós e, quando percebemos, estamos completamente abarrotadas por eles. A arte no geral tem essa capacidade. E o que acontece às vezes, que eu não entendo como as pessoas não entendem, é que você passa por momentos da vida que só podem ser vividos se você estiver tomada por sentimentos específicos, aqueles trazidos por determinados livros.
A primeira vez que li O Demonologista, eu achei que eu ia morrer. Não pelo livro, mas por toda a situação que eu estava vivendo. A companhia desse livro me fazia esquecer as coisas ruins que aconteciam a minha volta e me levava para um lugar seguro por alguns instantes. Dois anos depois da primeira leitura, veio a necessidade de reler. Tudo para me sentir transportada para esse lugar seguro novamente.
Eu não comemoro Natal. Por mais estranho que isso possa parecer, é uma data comemorativa que eu nunca gostei, nunca vi sentido e só participava para agradar minha mãe. Porém algo que TODOS OS ANOS desde 2013 eu faço é reler Harry Potter e a Pedra Filosofal naquele período entre Natal e Ano Novo. Acompanhar o pequeno Harry descobrindo a magia, conhecendo Hogwarts e passando um Natal no castelo com seu amigo Rony é definitivamente minha aesthetic de Natal, e desde então é assim que passo meus finais de ano.
Muitas pessoas não releem livros, muitas pessoas argumentam que existem muitos outros livros para ler para se perder tempo relendo, ou até mesmo que o livro perde a graça depois que você já sabe a história. Eu encaro a releitura como uma lembrança de bons sentimentos (ou de sentimentos ruins, porque já estou me preparando pra reler O Castelo de Vidro). Eu releio pelos mesmos motivos que outras pessoas assistem os mesmos filmes várias vezes, ou escutam a mesma música no repeat e toda vez é algo mais especial que a vez anterior.
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Maria Marcela é paulistana, lê demais e pensa demais. É Grifinória de corpo e alma, mas com um pézinho ali na Corvinal. Literatura e escrita são sua terapia. Viciada em Twitter (@marcelacps).






