Stephen King não é chamado de mestre do terror à toa. Mesmo sem ter lido nenhum livro dele, quase todo mundo já conhece alguma de suas histórias, seja por ter ouvido falar, seja por ter assistido alguma das inúmeras adaptações de suas obras. Obras essas cheias de um suspense que não nos deixa desgrudar por um minuto. Mas King não nos envolve só com os acontecimentos da trama, mas também com suas personagens: carismáticas, excêntricas ou até mesmo terríveis e “O Instituto” é um bom exemplo do que o autor sabe fazer de melhor.

Nele, acompanhamos um grupo de crianças com pequenos poderes paranormais que são sequestradas e mantidas em uma instituição onde terríveis experimentos são realizados e que, juntas, vão precisar descobrir uma forma de sobreviver e escapar de lá. 

O livro te prende do começo ao fim e o suspense funciona tão bem porque ele não é feito só de momentos surpreendentes: nós passamos a conhecer e nos afeiçoar as crianças e isso faz com que a gente entre na história e tente desvendar o mistério com elas, torcendo o tempo todo para que dê tudo certo.

E apesar de não se deter tanto neles como nos mocinhos, os vilões também são muito interessantes. Há muitos trechos onde conhecemos um pouco sobre sua trajetória e pensamentos, o que ajuda a explicar suas ações, mas não perdoá-las, podendo até intensificar sua vilania.

Assim como em “Outsider”, King dá algumas alfinetadas políticas sobre os Estados Unidos de hoje, mesmo que às margens da trama. Ele é crítico, mas deixa transparecer um tom esperançoso de que no fundo, o americano é melhor do que isso:

Ele ficou comovido e surpreso, não pela primeira vez, com a gentileza e a generosidade do gesto, comum a gente comum, principalmente no caso de quem não tinha muito a oferecer. Os Estados Unidos ainda eram um bom lugar, por mais que alguns (inclusive ele mesmo, de vez em quando) pudessem discordar.

Talvez seja isso que devamos levar de “O instituto”. Assim como nos dias de, as crianças estão enfrentando um mal indiscutível, mas apesar de parecer não haver saída, a solução está na união: juntos somos mais fortes.

Ilustradora, resenhista, escritora | [email protected] | Website

Apaixonada por histórias em seus mais variados tipos. Tem tendência a exagerar e a ser dramática. Geralmente está obcecada por alguma coisa, o que pode ser o amor de uma vida inteira ou uma paixão passageira. Estranhamente é uma mistura de Lufa-lufa com uma pontinha de Sonserina. Vai entender.

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