Desde o How Big, How Blue, How Beautiful que Florence vem deixando um pouco de lado as letras etéreas e se desnudando musicalmente. À época, ela mesma disse que era um álbum mais cru, mais realista, ela estava expondo os medos e as dores, as angústias de uma mulher que tinha chegado ao fundo do poço e começava a perceber não só seus erros, mas também como se reerguer.
Agora, com o High As Hope, Florence não só continua a explorar suas questões internas e suas lutas, mas também mostra que, nesses três anos entre um álbum e outro, ela aprendeu muito sobre si mesma e sobre a natureza humana.
O álbum parece uma conciliação da Florence pré How Big e a Florence pós How Big, com umas pitadas de reinvenção. É um álbum íntimo, que muitas vezes te faz parar e refletir sobre si mesma, que te coloca numa introspecção extremamente prazerosa.
Menor que seu predecessor (How Big, How Blue, How Beautiful tem x faixas), High As Hope tem dez faixas que realmente despem a alma da cantora, confessando seus distúrbios alimentares (“Hunger”, faixa 2), fazendo as pazes com a irmã (a gigantesca “Grace”, faixa 6) e oferecendo o título de “estrela do Norte” à incrível Patti Smith (“Patricia”, faixa 7, comprovando que ela é tão fangirl quanto qualquer uma de nós).
[Meu destaque vai para “No Choir”, a última faixa. Além de mostrar toda a potência da voz maravilhosa de Florence, de ser quase um cafuné nos ouvidos, tem uma das letras mais lindas e reais que já ouvi na vida. É o tipo de música que você consegue sentir crescendo].
Além disso, é uma exploração da voz poética de Florence, que também lançou um livro de músicas e poesias. Algumas das músicas do álbum foram escritas para serem apenas poemas mas, no fim, ela decidiu musicar. Ainda bem.
Florence Welch contém multidões, e o High As Hope soa como seu nome: alto como a esperança, recheado de sentimentos e um enorme contentamento com aquilo que o Universo parece trazer para nós.
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Ariel é uma lua de Urano, um espírito do ar, um sabão em pó, uma marca de carro e uma pequena sereia, mas também é uma bibliotecária carioca que não consegue terminar a meta de leitura, sabe tudo de Monty Python e chora com filmes de ficção científica.







