Contos, fábulas, contos de fadas, desenhos, registros, pinturas, diários, fotografias, gravações, filmagens… Acho que desde que o ser humano é ser humano e as sociedades se desenvolveram, mulheres e homens buscam por formas de documentar suas histórias, pensamento e ideias, de registrar o presente que em segundos se torna passado, para viajar no tempo e pelas lembranças no futuro. Além disso, registros e documentos também podem ser vistos uma forma de se organizar, se planejar e alinhar expectativas e realidade.
Entre história e planejamento, eu tenho as listas.
Entre as várias que eu faço, as famosas To Do Lists (Listas de afazeres) me ajudam a acessar facilmente o que preciso fazer e também estabelecer minhas prioridades. Na minha agenda, eu faço as listas de compromissos do dia. No meu diário, eu faço a lista dos melhores momentos do mês.
Guardo tudo isso analogicamente como a taurina apegada e acumuladora que sou, e adoro rever algumas listas de tempos em tempos. Além disso, chega a ser útil! Se rolou um problema com alguma conta, por exemplo, é só eu voltar pra a lista de um dia específico da agenda e ver se paguei direitinho; se rolou uma saudade, é só eu ir no diário e ler as boas memórias de um determinado mês.
É incrível como alguns tópicos em linhas separadas já me ajudam a lembrar de tanta coisa, tanto que eu tenho que fazer, quanto as que eu já fiz. Mas não é assim pra todo mundo. Para mostrar os possíveis pontos negativos desse tipo de organização e documentação, a Tammy, que também é colaboradora aqui na Pólen, fez um depoimento muito interessante da relação dela com listas e como elas influenciam em sua saúde mental. Para saber mais, é só se ligar nos próximos parágrafos!
Tammy sobre suas listas
As listas certamente têm papel importante para quem busca uma vida mais organizada, mas é preciso existir equilíbrio. Para alguns, é óbvio e até natural a concepção do quão realmente importante uma lista é. Mas, para alguém com transtorno obsessivo-compulsivo, as coisas podem sair do controle.
Depois do meu diagnóstico de TOC, pude perceber o quanto minha relação com listas se tornava tóxica. Ao meu ver, elas eram extremamente necessárias para que eu não esquecesse nenhuma tarefa. Caso isso ocorresse, implicaria em uma disruptura do plano do dia, ou da semana, ou do mês. E se algo saísse fora dos trilhos, seria uma espécie de “fim do mundo”.
Cheguei ao ponto de fazer listas de quais listas tinha que fazer. Em todos os lugares: no meu celular, na tela do computador, no meu bullet journal e até em um papelzinho perdido no bolso da calça, lá estavam elas. Aquilo me dava uma sensação de controle, porque era uma garantia de que nenhuma tarefa seria deixada de lado e todo o planejamento seguiria seu curso. Mas, ao mesmo tempo, me sufocava sem eu perceber porque resultava em crises de ansiedade caso a tarefa não fosse anotada imediatamente.
Foi quando iniciei acompanhamento psicológico que pude perceber que as listas me faziam mais mal do que bem. Bastou uma pergunta para eu reconhecer esse comportamento: “o que acontecerá caso você não faça uma lista?”. Minha resposta óbvia foi “eu vou esquecer, claro!”. E a profissional rebateu “e se você não esquecer?”.
Comecei a colocar na balança quais listas eram realmente imprescindíveis, e quais eu poderia deixar de lado. Mas, o verdadeiro progresso foi perceber que se eu esquecesse de algo como regar as plantas, ou varrer a casa, nada de muito grave resultaria disso. E talvez eu até me lembrasse outro dia.
Não abandonei as listas completamente, afinal, o esquecimento de algumas tarefas realmente podem ter impacto negativo em minha vida. E como adepta do uso de bullet journal, gosto de relembrar, enquanto passo as páginas, como era minha rotina em meses até anos passados. Mas, a diferença é que agora sou capaz de identificar quando a lista me realmente é útil, tornando-a inofensiva.






