Eu sou a louca do YA há muitos anos e, quando soube desse lançamento, apesar de nunca ter lido nada da Luisa, eu soube que eu queria demais lê-lo. Esperei por ele ansiosamente, sério.

Antes de o livro ser lançado, eu li uma entrevista da Luisa no blog da editora em que ela dizia que escrever para o público jovem não era necessariamente mais fácil ou mais “explicado”. Eu fiquei muito feliz por ler isso, porque eu acredito muito na profundidade dos livros YA.

Mas eu encontrei em “Enfim, capivaras” uma diferença. Movido por uma força quase banal — a descoberta de um mentiroso compulsivo —, o livro nos apresenta questões que vão além de mentiras cotidianas e capivaras. Ainda assim, eu não consegui me relacionar com nenhuma das personagens, por mais que fossem nada redondinhas. Na verdade, o livro tem esse enorme ponto positivo que é ser narrado por todos os pontos de vista, assim, o leitor acaba descobrindo cada vez mais sobre as personagens — das coisas mais bobas às mais conflituosas ao enredo.

Ainda que as personagens sejam muito bem construídas, eu não consegui me sentir na narrativa. Não sei se foi o fato de o livro ser rápido de ser lido, ou o quê, mas eu fiquei com a sensação de que faltou algo. Talvez a minha grande expectativa tenha ajudado nisso, é claro. Acontece que eu estava esperando algo que, na verdade, não me foi apresentado. E eu nem sei bem o que eu queria que a Luisa me apresentasse. Só sei que faltou me dizer que existia uma real história por trás das que o livro tratou. Além das mentiras, dos conflitos e dos diálogos que não levavam para lugar algum, faltou dizer o que o livro queria realmente trazer. Pra mim, ele não trouxe absolutamente nada.

“Enfim, capivaras” é um ótimo livro para ser devorado num dia, mas não funciona caso você queira uma leitura para além do óbvio, infelizmente. O livro, apesar de tudo, não conseguiu me convencer — e eu fico bem triste com isso, porque queria demais amá-lo.

Parece que algo terminou, mesmo que estejamos no meio de algo. Mas talvez toda história seja um recorte que veio de outra história. Toda história é parte de uma história maior. A gente sempre chega no meio de uma história e sempre sai antes que acabe. Exceto da nossa história, acho eu.

Escritora sonhadora dotada de blue feelings. Quer muitas coisas ao mesmo tempo. Acredita nas palavras mais do que na imagem. Não acredita na divisão das casas de Hogwarts, mas tem certeza de que é 70% Ravenclaw, 20% Hufflepuff e 10% Gryffindor.

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