Eu já conhecia a Natalia contista. Li “Amora” em 2017. Eu já conhecia as personagens fora do padrão de Natalia. Com estes pensamentos, eu iniciei “Controle”, achando que já sabia demais.
O livro acompanha Maria Fernanda que, desde a infância, convive com a epilepsia. Depois de um acidente específico, Nanda desenvolve inúmeras crises e, por isso, sua vida, até então boa, se reduz a quase nada. Por causa da epilepsia, ela começa a desviver. Nanda não vai a festas, não termina o colégio, não faz faculdade, não consegue uma carteira de motorista. Coisas “normais” para o resto de seus colegas e amigos. Ela cresce num ambiente hermético, pois seus pais têm medo de tudo.
A única “normalidade” de Nanda é Joana, sua amiga de infância. Por quem, aliás, nutre um amor silencioso e doído.
A narrativa de “Controle” é suave, controlada por fluxos de consciência e letras de música. Ainda assim, é pesada o suficiente para o leitor entender que o que Nanda vive não é saudável, não é uma vida.
O que mais gostei no livro é o descontrole da narrativa. Nanda tem problemas de memória por causa da epilepsia e a narrativa é permeada de ciclos atemporais, às vezes confusos, mas isso apenas faz a história ganhar um viés profundo e humano.
A autora conseguiu fazer nascer um romance sobre muitas coisas, não somente sobre uma menina epilética apaixonada pela melhor amiga. Ao final, é palpável o quanto o Nanda e sua história permeiam o leitor, fazem dele um amigo próximo. No final, Nanda e o leitor descobrem que o melhor que a gente tem a fazer é querer viver.
Não sabia que espécie bizarra de controle eu tinha sobre mim mesma que me fazia não viver, não experimentar.
Post relacionados:
Escritora sonhadora dotada de blue feelings. Quer muitas coisas ao mesmo tempo. Acredita nas palavras mais do que na imagem. Não acredita na divisão das casas de Hogwarts, mas tem certeza de que é 70% Ravenclaw, 20% Hufflepuff e 10% Gryffindor.






