Tudo na vida precisa de alguma dose de sorte. Algumas pessoas até podem dar outro nome para essa força invisível que nos ajuda a achar o rumo correto do destino e, muitas vezes, do sucesso. E quando falamos de uma das peças mais fundamentais da vida de um ser humano – o amor, claro -, não poderia ser diferente.
Qual a probabilidade de se esbarrar com o amor da sua vida na rua? Ou no ônibus (crush de busão, quem nunca?)? No aeroporto? Na padaria? Na balada? É preciso ter sorte, o destino a seu favor, alguém lá no andar de cima cooperando com a sua felicidade. Afinal, achar a pessoa certa (mesmo que nem seja para a vida toda) requer que uma série de intricados acasos e complexas probabilidades cooperem. É preciso que a roda da fortuna esteja alinhada, em outras palavras.
Nesse cenário, quatro minutos podem mudar não só uma vida, mas duas. Foi assim para Hadley, de 17 anos, que mal imaginava o que a esperava ao perder o seu voo para Londres por míseros minutos. A males que vem para bem, isso é algo que a mocinha aprendeu em sua jornada, repleta de probabilidades impossíveis, contatadas no livro A Probabilidade Estatística do Amor À Primeira Vista, escrito por Jennifer E. Smith e lançado no Brasil em 2013 pela Galera Record.
As pessoas que se encontram em aeroportos têm 72 por cento mais chance de se apaixonarem que as pessoas que se encontram em outros lugares.
Ollie, um inglês que estuda nos Estados Unidos, é quem cruza o caminho da protagonista durante seu infortúnio. É possível que uma situação ruim possa se tornar minimamente agradável com a presença confortante e simpática de um menino com sotaque britâncio?, é o que Hadley se pergunta. E a resposta é sim. Ao começarem a conversar no aeroporto a espera da decolagem, os dois descobrem afinidades em comum e um elo que parece mágico, que só se intensifica mais e mais ao longo da 12 horas de voo até o outro lado do Oceano. Em mais um movimento do destino (sorte é fundamental para esse casal), os dois estão alocados em assentos lado a lado durante todo o trajeto, deixando muito espaço para conversas, revelações que só são possíveis quando se está em suspenso entre uma situação e outra, e sonecas que acabam no ombro um do outro.
Para Hadley, a ida é Londres é cheia de mágoa e desafeto, já que não quer presenciar o casamento de seu pai com outra mulher e encarar todo o rastro de tristeza que ele deixou nela e em sua mãe ao trocá-las por uma vida do outro lado do mar. Toda sua angústia e reclamações são despejadas em cima de Oliver, que a consola e traz momentos de sabedoria para a situação, deixando transparecer em poucos momentos a tempestade interna que vive.
Com uma química inegável e o despertar de uma sede de se conhecer mais, o caminho dos dois finalmente é separado ao chegar em solo londrino. Hadley corre para seu evento, onde precisa enfrentar o seu pai e também seus sentimentos, enquanto Oliver abraça os percalços que o aguardam. O resto segue o clichê que já conhecemos, com tudo orquestrado com uma escrita leve, gostosa e singela, que faz o livro de Smith ser um romance fofinho e de leitura rápida, altamente recomendável para quem quer passar o tempo, viver um aventura e ter o coração quentinho ao final.
Mas não se enganem, o adicional do destino, do acaso – da sorte -, que aparece mais de uma vez, fazem tudo ser melhor e mais instigante. Faz refletir não só sobre sentimentos, mágoas, raiva da pessoa que se ama, como um menino britânico pode ser tudo o que se precisa em determinados momentos, mas como contar uma ajudinha extra de alguma força invisível que opera a nosso favor pode dar uma guinada em nossa vida. Às vezes precisamos nos esforçar, sim, batalhar pelo que queremos, claro, mas um boa dose de destino – ou o atraso de alguns minutos para chegar a um lugar – podem nos fazer esbarrar no amor da nossa vida. No caso de Hadley e Oliver, a sorte no amor é travestida em números, dissecada em chances de ocorrência, como docemente anunciado pelo título da obra, afinal a sorte também pode ser um ciência exata.
– O que você estuda de verdade?
– A probabilidade estatística do amor à primeira vista.
Chamem as coincidências como quiseram, mas uma pergunta sempre irá pairar no ar: A que acontecimento (ou minutos) a probabilidade estatística do seu destino amoroso pode ser reduzida? Para os dois, quatro minutos foi tudo que bastou para encontrarem um ao outro em meio a milhões de pessoas.






