“Quando você ler este livro, vai fazer várias suposições.
Vai supor que está lendo sobre uma ex-mulher ciumenta e obcecada.
Vai supor que está lendo sobre uma jovem prestes a se casar com o homem que ama.
Vai supor que a primeira mulher era um desastre, e que o marido fez bem em se livrar dela.
Vai supor que conhece os motivos, a história e a dinâmica desses relacionamentos.
Chegou a hora de parar de fazer suposições.”
Esse é o texto da contracapa de “A mulher entre nós”, de Greer Hendricks e Sarah Pekkanen. Eu sempre fui uma amante de um bom mistério. Seja na literatura ou até no cinema, esse é um gênero que chama muito a minha atenção e, como toda coisa que a gente gosta, eu já li e vi bastante coisa que se encaixa nessa categoria e sou bastante crítica com com relação a isso. Então, quando li a contracapa do livro, senti como se ela fosse um desafio pessoal. Como assim as autoras achavam que iam conseguir me enganar? Logo eu, a veterana do gênero? Ah, eu não ia deixar isso acontecer!
Foi pensando assim que eu comecei a leitura, Conhecemos a história de Nellie, uma jovem professora de educação infantil, sonhadora, animada e que está perdidamente apaixonada por seu noivo Richard, e Vanessa, a ex-mulher rechaçada, desempregada, triste, solitária e presa ao passado. Mas, apesar de feliz, Nellie se sente perseguida por alguém e Vanessa está obcecada com a vida amorosa do ex-marido. Parece muito simples. Mas será que é? O que está acontecendo, afinal? Essas e outras coisas nós vamos descobrindo aos poucos, através da narração em primeira pessoa, que alterna os pontos de vista das duas mulheres, o que nos permite juntar os pedaços do mistério que as cerca.
É difícil dizer muita coisa sobre sem contar demais, afinal essa é uma daquelas histórias que pode perder muito com um spoiler errado, mas basta dizer que ela conseguiu me enganar. A todo o momento eu tentava ficar à frente das autoras, adivinhar o que estava acontecendo, encontrar um erro que me permitisse aquele: “Arrá!”. Mas elas conseguiram: me surpreendi o tempo todo e era exatamente isso o que eu queria.
E não só isso, “A mulher entre nós” é mais do que um livro de mistério (não que haja nada errado com isso!), ele trata também de assuntos importantes e atuais, como relacionamentos abusivos, machismo, o mito do amor romântico e saúde mental. É um livro intrigante, que foge às expectativas do leitor e te faz pensar sobre várias coisas, isso sem ser panfletário ou maçante, de modo bastante orgânico dentro da narrativa. Se você já leu e gostou de “Pequenas grandes mentiras”, de Liane Moriarty (o livro que deu origem à série Big Little Lies) provavelmente vai adorar esse também.
Recomendo que você separe um tempo, um final de semana ou feriado, talvez. O bastante para conseguir começar e ler até o final se quiser. E se prepare para a montanha russa, as reviravoltas e o seu envolvimento com as personagens, que vão chegando devagarinho, mas quando você vê, já te conquistaram. E, claro, deixe as suposições de lado.
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Apaixonada por histórias em seus mais variados tipos. Tem tendência a exagerar e a ser dramática. Geralmente está obcecada por alguma coisa, o que pode ser o amor de uma vida inteira ou uma paixão passageira. Estranhamente é uma mistura de Lufa-lufa com uma pontinha de Sonserina. Vai entender.






