Naquela manhã, Jim Sams, inteligente mas de forma alguma profundo, acordou de um sonho inquieto e se viu transformado numa criatura gigantesca.

Em uma inversão da premissa de “A metamorfose” (de Franz Kafka), Ian McEwan nos conta uma história de Jim Sams, uma barata, que subitamente se vê transformado no primeiro-ministro da Grã-Bretanha.

O livro é curtinho, mas faz uma inteligente sátira não só ao Brexit, mas também a situação política global. Considerando os absurdos de cada dia, infelizmente não parece tão surreal imaginar um governante que quer aprovar a Lei do Reversalismo, em que as pessoas pagariam para trabalhar e receberiam para consumir. E é isso que Jim Sams quer fazer a qualquer custo.

Em tempos em que governantes trabalham contra os interesses da população e que surfam na onda do radicalismo, “A barata” é um livro atual e necessário para pensar nossa situação. Indico fortemente dar de presente para aquele familiar que ainda não abriu os olhos, quem sabe dessa vez a ficha cai.

Ilustradora, resenhista, escritora | [email protected] | Website

Apaixonada por histórias em seus mais variados tipos. Tem tendência a exagerar e a ser dramática. Geralmente está obcecada por alguma coisa, o que pode ser o amor de uma vida inteira ou uma paixão passageira. Estranhamente é uma mistura de Lufa-lufa com uma pontinha de Sonserina. Vai entender.

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