Vivendo com as estrelas, de Duíllia de Mello


Texto: Lidyanne Aquino

“E minha amiga de infância até me confessou outro dia que eu a deixava de pescoço duro de tanto ficar olhando para o céu”, relata Duília de Mello na apresentação de Vivendo com as estrelas. Poderia ser o título da biografia de uma jornalista que lidou a vida toda com celebridades, mas não. Duília vive, de fato, com as estrelas. Ela é nada mais nada menos que astrofísica da NASA. Sua estreia no meio editorial é bem didática e com alguns pontos biográficos. Tudo muito honesto e objetivo, contando toda sua caminhada rumo à astronomia e, ao mesmo tempo, tirando aquelas dúvidas clássicas sobre como é o trabalho nessa área.

Carreira de astrônomo, por sinal, não é fácil – envolve no mínimo treze anos de estudos acadêmicos. Isso mesmo. Treze anos para conseguir entrar no mercado de trabalho. Nas palavras de Duília: penoso, mas satisfatório. Em 1997, por exemplo, a autora virou notícia pela primeira vez ao descobrir uma supernova (estrela que acaba de explodir):

“Eu era astrônoma do Observatório Nacional do Rio de Janeiro e estava no observatório europeu ESO (European Southern Observatory) de La Silla, no Chile, observando

galáxias com o telescópio de 1,52 metro. O meu estudo tentava explicar a influência que as galáxias exercem nas suas companheiras; se, por exemplo, as galáxias em processo de colisão com outras galáxias estão mais propensas a formar mais estrelas.

(…)

Hoje em dia, as supernovas não recebem nomes dos descobridores, mas números que correspondem ao ano da descoberta e letras conforme a ordem alfabética.

No meu caso, descobri a quarta supernova do ano de 1997, daí 1997D. Foi nesse momento que o Observatório Nacional resolveu divulgar para a imprensa e o Jornal do Brasil me encontrou no Chile”. [Trecho do livro – páginas 51 a 55]

Em 2008, Duília descobriu as “bolhas azuis” (estrelas ‘soltas’, sem galáxia). Ela continua seus estudos nessa área e também na análise das fotos feitas pelo Hubble – o telescópio espacial que há 26 anos faz vários registros do espaço e contribui, em muito, para o trabalho dos astrônomos.

Ela dialoga de uma forma muito legal com as meninas, explicando que ninguém merece ser desqualificada por escolher uma profissão dita “não feminina”. O foco aqui é quebrar rótulos e aquele clássico clichê de que cientistas são pessoas esquisitas. Esse preconceito, segundo a autora, existia desde os tempos de colégio, quando o professor de português disse que “fazer astronomia seria um desperdício”. Por sorte ele foi ignorado. A princípio temos a sensação de que ela deu sorte, mas não foi tão simples assim – Duília precisou se debruçar sobre os livros para chegar onde chegou. Essa é a melhor mensagem que poderia passar, ainda mais quando se escreve para um público jovem. Ela insiste que ter facilidade com certas matérias é um detalhe, pois o que conta de verdade é seu esforço e dedicação.

Aliás, por ser voltado para esse público mais novo, não espere muito detalhamento técnico- o intuito é fazer um apanhado geral mesmo, o que explica a linguagem mais simplificada e ágil. Uma cartilha de conhecimentos gerais para quem tem curiosidade ou pretende se aventurar nessa área, mas não sabe por onde começar.

 

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Sobre Lidyanne Aquino

Lidyanne nasceu no Mato Grosso do Sul (isso mesmo, DO SUUL!), tem 25 anos, formou-se em Jornalismo na Cásper Líbero e terminou gostando desse caos que é São Paulo, de onde não saiu mais. Abandonou a juventude por não gostar nada de virar a madrugada na balada, mas já guardou a última mesa do bar porque conversa demais. É doente por literatura e cinema, cultiva e incentiva a prática sempre com uma boa trilha sonora de fundo. E curte muito escrever e brisar sobre essas coisas todas.