Velho e novo


Texto: Lorena Pimentel

Não piso naquela casa há mais de cinco anos, mas a sensação das almofadas gigantes no sofá de couro, risadas ao ver filmes de comédia trash no meio da noite e a luz da rua entrando pela janela estão vívidas na minha memória. Foi naquela sala que joguei The Sims pela primeira vez, na época em que famílias dividiam computadores gigantes, barulhentos e estes ficavam em um cômodo especial. De frente para a janela, só podíamos fazer barulho até 8h da noite, para não atrapalhar os vizinhos.

As estantes nas paredes misturavam fotos de família e enciclopédias antigas, mas os rostos ficam um pouco perdidos na minha memória. Quando muita gente queria assistir à TV (de tubo, claro) ao mesmo tempo, o sofá de três lugares não era suficiente. Em algum momento, por lá surgiu um tapete colorido. A casa, que até então era nova e branca e pouco habitada, virou o lugar onde fiz maratonas de Harry Potter e comédias adolescentes antes de me tornar adolescente. Palco de danças improvisadas, fofocas bestas e pelo menos uns oito anos do meu processo de crescer.

Se eu soubesse, cinco anos atrás, que nunca mais entraria ali, que nunca mais pegaria nuggets na cozinha durante a madrugada e passaria horas fazendo piadas bobas em festas do pijama, talvez tivesse registrado ela melhor na minha cabeça. Mas se nossos espaços favoritos mudam ao longo da vida, junto com as pessoas que importam para nós, eu só espero formar novos. Novos laços, novos espaços.

 

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Sobre Lorena Pimentel

Paulistana que preferia ter mar, entusiasta do entusiasmo, Grifinória com medo de cachorros, defensora de orelhas pra marcar livros, não gosta de açúcar, colecionadora de instagrams com fotos de bebês, oversharer no twitter (@buzzedwhispers) e uma eterna vontade de ter nascido Rory Gilmore.