Um desejo: silêncio.


Texto: Priscila Godoy

Eu nunca vou saber tudo que se passa dentro de você, assim como você nunca saberá tudo que explode dentro de mim. Por mais que a gente tente, não há como saber. Há um universo dentro de cada mente inquieta. E pelo lado de fora, não temos como saber.

Existem dias que eu quero sair, conversar com todo mundo, sentir que estou aproveitando cada minuto livre que eu tenho e são raros hoje em dia. Existem os dias em que eu quero silêncio e eu quero dentro de mim.

A minha cabeça parece que não para de funcionar. Eu tento dormir e são tantos pensamentos que ficam cruzando minha cabeça, que me fazem revirar na cama. Não importa o lado que eu deite, a posição preferida para dormir ou condições ideais para isso, eu simplesmente não sou capaz de desligar a minha cabeça. E é nesse período que eu mais me afasto das pessoas. Meu silêncio exterior não traduz o barulho interior.

Eu fico tão cansada, por muitas vezes, tão estressada que o contato com as pessoas se torna mais complicado. Do lado de fora não tem um barulho sequer, não há pássaros ou pessoas falando, porém a gritaria interna me deixa surda para outras coisas. Até para os problemas dos meus amigos mais queridos.

Basicamente, é assim: você está num show de uma banda ou cantor que menos suporta, o ambiente é pequeno, e a voz fica cada vez mais alta e quem canta, está gritando as coisas que você menos gostaria de ouvir, aquelas que mais magoa você. Ou literalmente, aquela merda que tenha falado ou feito há anos atrás. A banda está tão alta que tudo em você dói e por mais que deseje que eles parem, eles não vão. Os pensamentos são tão altos e sobre tantas coisas ao mesmo tempo e quando você acorda, parece que ficou a noite acordada fazendo cálculos complicados e sem chegar a resultado nenhum.

Uma coisa que eu tenho tentado aprender é que certas coisas, não dependem só de mim. Por mais que eu tenha atração me remoer cada pensamento e ficar num tornado de “e se” e “por que”, isso não me leva a nada. Então, eu coloco uma música que eu gosto muito e saio pulando pelo meu quarto. Mesmo sem querer, saio, converso com meus amigos e penso em coisas que não vão descarregar milhões de pensamentos em mim. Vejo cachorrinhos e coisas fofas, estudo. Criar ajuda muito, mesmo que você não seja do tipo criativo ou desenhista, escritor.

Uma vez, um professor meu me disse que em todo caos, havia algo belo, uma lição que poderia ser vista, nem sempre na superfície, nem sempre a olho nu. Talvez, uma mente inquieta queira te dizer algo e só você pode ler essa mensagem. E depois disso, venha o silêncio que tanto desejamos.

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Sobre Lila Godoy

Priscila, amante de livros e está na casa dos trinta. Tem tatuagem, piercing e ama seus 5 cachorros. Resolveu esse ano aceitar suas escolhas e isso inclui mostrar para todos o que escreve.