“To say nothing of the dog”, Connie Willis


O ano é 1940. A Catedral de Coventry está em ruínas após um bombardeio alemão e Ned Henry precisa de férias. Nas últimas 24 horas, ele deve ter feito mais de uma dúzia de viagens no tempo procurando por uma decoração da igreja – o Bishop’s Bird Stump. Ele deve ter ido em todas as feiras de antiguidades entre 1940 e 2057. E nem sinal do adorno.

Agora, Lady Schrapnell mandou procurá-lo antes do bombardeio. Bem, essa foi a programação, mas ele chegou com um dia de atraso, após as bombas incendiárias e não há sinal do bishop’s bird stump.

E Ned está cansado. Viagem no tempo são como viagens de avião, confundem o cérebro e, no lugar de jet lag, os viajantes no tempo podem ter “time lag”.

O ano é 2057. Ned está de volta a Universidade de Oxford, onde ele trabalha como historiador no departamento de viagens no tempo. E ele foi parar na enfermaria com sinais graves de um “time lag” avançado. Mesmo assim, Lady Schrapnel está atrás dele para saber do bishop’s bird stump.

A rica senhora americana está reconstruindo, no meio de Oxford, a sua querida Catedral de Conventry, que nos séculos seguintes após o ataque nazista foi demolida e transformada em shopping. Gastando milhões em uma obra inútil, ela precisa que cada detalhe seja idêntico ao original. “Deus está nos detalhes”, ela repete para todos da equipe de historiadores esgotados que viajam no tempo para reproduzir os detalhes dos vitrais, contar as fileiras de bancos ou rastrear objetos originais que tenham sobrevivido ao bombardeio nazista.

É uma obsessão inútil, mas que paga as contas para as pesquisas acadêmicas de viagens no tempo.

O ano é 1888. Prometeram a Ned passeios de barco na tediosa era vitoriana, sem preocupações e sem Lady Schrapnell. Ao invés disso, ele tem que lidar com um gato que fez uma viagem para 2057 com a historiadora Verity Kindle e que pode ter causado um enorme paradoxo. Na tentativa de consertar o erro, ele talvez tenha ajudado o jovem estudante de Oxford, Terence St. Trewes, a se apaixonar pela garota errada. E, talvez, isso mude o desenlace da II Guerra Mundial a favor dos alemãs.

Ah, e sem falar nada do cachorro.

To Say Nothing of the Dog é um livro com um humor peculiar e uma forma engenhosa de viagem no tempo. Se você curte revirar teorias mirabolantes sobre paradoxos, com explicações científicas específicas, detalhes históricos precisos e satirizando os hábitos vitorianos, Connie Willis escreveu o livro pra você.

Para quem já adora ficção científica com viagens no tempo, vale muito a pena conhecer a abordagem que a escritora americana dá para o gênero. Porque, além dos já conhecidos paradoxos e coincidências loucas, ela ainda criou personagens incríveis para se apaixonar e torcer por eles durante a leitura.

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Sobre Luisa Granato

Luísa é jornalista e eterna potterhead. Sua casa é a grifinória, mas ela lê como uma corvinal e podia ser a Luna Lovegood. Viajante (inclusive do espaço e do tempo), ela ama ficção científica e histórias fantásticas.