Tique-taque – Editorial #3


Todo começo de mês (desde dezembro, apenas, é verdade) nós sentamos e tentamos explicar pra vocês aí do outro lado um pouco sobre a edição que (esperamos!) vocês lerão a seguir. É uma sequência lógica de ações: sentar e decidir um tema (provavelmente em algum lugar com comida. Especialmente batata frita com muito queijo em cima. Sim, morreremos em cinco anos), discutir sobre ele com todo mundo, cobrar todo mundo depois e fazer papel de editoras-chatas-que-não-tem-mais-o-que-fazer-além-de-cobrar-os-outros, ler os textos, sugerir, amar, ler de novo, conversar sobre o que mais podemos dizer… Até que chega o dia em que as coisas começam a ir ao ar.

E essa é a magia de uma rotina escolhida. Não são as suas aulas monótonas na faculdade, nem o trânsito caótico, nem sentar na frente de um computador por horas pra fazer alguma coisa que você nem tanta certeza se gosta. É a rotina clandestina que você insere entre a sua rotina real.

A rotina real é aquela coisa de acordar, se arrumar, ir para o trabalho/faculdade/escola ou sejá lá qual for sua ocupação primordial. Provavelmente envolve algum trânsito, algum meio de transporte público ou, se caso você seja uma pessoa sortuda, algum tempo de caminhada. Quem sabe bicicleta. Seja qual for sua rotina, você provavelmente não é muito fã dela.

É bem provável, na real, que você passe um bom tempo reclamando de sua rotina imposta. Antes de escrever esse texto, por exemplo, uma de nós passou quinze minutos na fila do elevador do trabalho porque a energia cai e eles não funcionam direito (pare de pensar ‘por que não sobe de escada?’ agora, são 13 andares) e a outra teve que lidar com a chuva paulistana. E nós reclamamos disso, é claro.

Mas, de volta à rotina clandestina: são os pequenos momentos frequentes em que a gente escolhe o que quer fazer, coisas que fazem bem pra nós. Aquele encontro com um amigo pro café, o pão de queijo de manhã, ouvir a música favorita enquanto escova os dentes, a hora de escolher a roupa com que sair de casa, a crush do transporte público que você encontra a caminho da faculdade todo dia, os minutos checando as mensagens de alguém querido no whatsapp, aquele dia da semana em que o almoço do trabalho é mais gostoso, colocar o artista favorito pra tocar na volta pra casa ao pôr do sol, o que quer que seja que te dá prazer e te reconforta.

Nós estamos sempre pensando que rotina é algo ruim. Que é tudo que está planejado entre o tocar do despertador e o apagar das luzes. Horas sendo contadas até cada dia acabar. Parece que vivemos a vida no piloto automático, certo?

Nosso desafio esse mês é contrariar um pouco esse conceito. Existe beleza na repetição e existe alegria no equilíbrio e na estabilidade que ela nos traz. Não precisa ser só uma lista de tarefas (bom, se te ajuda, vai nessa) e um calendário cheio de anotações. Muito menos alarmes no celular e notificações de eventos do google.


Junte isso ao que você gosta. Pegue suas coisas favoritas e faça-as cair na rotina também. Ligue pros seus amigos, tire um tempo pra ler todo dia, ouça 1989 no repeat. E por último, mas não menos importante: separe um tempo pra descobrir coisas novas também. Só porque a rotina pode ser boa, não significa que você não deve quebrá-la de vez em quando. 

 

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  • concordo com você, Lilica. rotina pode parece um pouco cansativa, mas ela abre espaço pra gente ter esses momentos mais prazerosos 🙂

  • Eu tive uma psicóloga que sempre dizia que, a gente só dá valor a rotina quando a perdemos! A gente reclama de acordar cedo, mas experimenta ficar desempregado! A gente reclama do bandejão ou self service de todos os dias, mas experimenta ficar doente do estômago! A gente reclama de pegar o bus lotado mas experimenta sofrer um acidente e não poder andar! Enfim, aprendi que a rotina é algo bom, é gostoso ter hora pra acordar, pegar o bus, trabalhar, estudar, ir pra ginástica no final do dia…e justamente ansiar pelo final de semana quando você pode dormir mais, não ter horário pra almoçar, poder bater perna e gastar o dinheirinho que você ganha fazendo sua rotina de trabalho diária! Essas pequenas coisas que fazem a vida ser boa de verdade! Amei esse texto! Beijos