“Tá todo mundo mal”, Jout Jout (+ sorteio!)


Texto: Lorena Pimentel, Mareska Cruz e Marina Vieira

Lorena: Hoje nós nos reunimos em volta dessa mesa metafórica da internet para falar do livro da nossa metafórica nova melhor amiga Jout Jout. Estou falando de “Tá todo mundo mal”, que é um livro sobre a vida dela e as crises pelas quais ela passa e passou. E aí, o que vocês acharam?

Marina: Apenas que li em um dia. Dois terços na fila pro autógrafo, o capítulo do pum quentinho enquanto esperava o ônibus, e o resto em casa. Nem preciso dizer que amei, né? É como sentar pra comer alguma coisa gostosa e conversar com sua melhor amiga. 

Mareska: me senti abraçada, acolhida, entendida e várias outras coisas mágicas que só acontecem quando alguém escreve alguma coisa que você grita “ISSO EU JÁ FIZ TAMBÉM”. Eu dividiria um sorvete com a Jout Jout.

Lorena: Eu definitivamente dividiria um sorvete com a Jout Jout, mas na real acho que eu gostaria de ter uma discussão com ela sobre a crise de não gostar de doces em um mundo que gosta de doces. Sobre alguma comida salgada. Enfim, também achei o livro uma delícia de ler, terminei rápido e deixou aquela sensação de querer mais conteúdo. Me tirou da ressaca literária também. Vocês curtiram o formato?

Marina: Eu amo livro de crônicas, justamente pela rapidez na leitura, e pela leveza do conteúdo. É descompromissado, não exige tanto envolvimento e dedicação – ótimo pra uma geminiana. E eu achei legal que, mesmo nas crises com as quais eu não me identificava, lembrava de uma amiga da vida real, de um parente, de um colega de trabalho… É um livro que dá vontade de sair emprestando pra todo mundo que conheço, porque ela fala com tal sinceridade sobre essa coisa louca que é ser humano que todas as pessoas reconhecem nele um pedacinho de si. (mas não vou emprestar porque o meu tá autografado. com BEIJOUTS.)

Mareska: Também sou #teamcrônicas e adorei principalmente elas terem sido curtinhas. Também adorei que ela não se propõe a resolver nenhuma das crises, nenhuma delas tem exatamente uma lição de moral ou uma receita pra seguir e nunca mais ter aquela crise de novo. Você termina de ler com a sensação de “tá vendo, todo mundo tem crise grande, pequena, séria, boba, tá de boa”.

Lorena: Eu estava, ao mesmo tempo, lendo um livro feminista bem teórico e pesado (que também era bom, de outra forma), mas percebo que tem vezes que meu lado nerd/viciada em internet passa tempo demais, ainda mais em núcleos feministas, discutindo as coisas e problematizando. Daí tava lendo um livro nessa vibe, mas o negócio estava me cansando demais. Eis que surge o livro da Jout Jout na minha frente, pedindo pra ser lido e, de fato, me fez pensar em algumas coisas da minha vida/da vida de pessoas próximas sem pretensão de ser algo enorme, sabe?

Relacionado a isso: vocês acham que muita gente vai torcer o nariz por ser “Livro de youtuber”?

Marina: Eu acho que eles fizeram um bom trabalho em deixar o livro ser uma coisa que se sustenta sozinha. Eu confesso que viro o nariz pra outros livros de youtubers porque o conteúdo deles parece muito atrelado ao “nome” e à fama que essas pessoas conquistaram, e isso não me interessa. Agora, falar sobre crises existenciais? Me chama que eu vou.

Mareska: Tá no youtube, é mulher, feminista e tem mais de 5 adolescentes na fila de autógrafo, pode ter certeza que alguém vai torcer o nariz. Eu não acho ruim a nova onda de livros de youtubers, mas acho que o da Jout Jout pega um caminho diferente. Não é uma biografia, não é centrado na carreira dela, é um livro de textos que ela escreveu dentro dos temas que ela aborda nos videos, então pode ser que seja bem melhor aceito. Eu gosto dessa vibe dele de livro que dá pra todo mundo ler, e dá mesmo vontade de sair emprestando porém o meu também tá autografado e livro autografado não sai de casa. Ótima opção pra presente, porém. E uma ótima opção pra quem não curte muito ler: não precisa ler tudo, não precisa ler na ordem, pode ir aos pouquinhos quando dá tempo.

Marina: Gente, vocês riram lendo? Porque eu não conseguia me segurar lá no ponto de ônibus, no frio de São Paulo, lendo sobre como o pum no inverno fica preso na roupa.

Lorena: Nossa, sim, ri um monte, esse é outro motivo de eu adorar esse formato de livro, são várias anedotas e tal. Fiquei pensando em como ele combona com o estilo dela nos vlogs e como deveriam fazer um audiobook (alô, Companhia das Letras!). Aliás, como vocês começaram a amar Jout Jout? Lembram de qual foi o primeiro vídeo?

Mareska: Não só ri como passei o livro todo com a voz dela na cabeça! O primeiro video dela que eu vi foi um falando sobre o filme de Cinquenta Tons de Cinza. Foi amor à primeira vista.

Marina: O primeiro que eu vi foi o manual pra ver séries direitinho. Ironicamente, em seguida eu fui lá e apliquei todos os passos no próprio canal dela: maratonei, quis que ela e caio fossem meus amigos, e calculei as chances disso acontecer.

Lorena: Cajout, meu novo otp.

Marina: Eu estou tão feliz que essas duas pessoas se encontraram na vida.

Mareska: Abençoado seja o dia em que Caio sentou no sofá com um casaco na cara pra ler um texto da Jout Jout. E falando na cena do casaco e na coisa dos videos terem começado como forma de aprender a lidar com críticas, como vocês encaram críticas? Porque eu sou meio Jout Jout nesse sentido. Eu até vou lá e faço, mas quero morrer em todos os processos.

Marina: Olha, depende muito da situação e do meu estado. Semana passada estava de TPM e um comentariozinho negativo no trabalho abalou minhas estruturas, quis ir no banheiro chorar, desistir… Mas respirei fundo e refiz o trabalho, que ficou melhor mesmo. Só quando estou sensível ou me importo com o projeto é que tenho esse medo de crítica. Acho que a crítica pesa mais quando a coisa que você faz tem a ver com você, e aí parece que a crítica é sobre sua pessoa e não sobre o que você fez. Faz sentido?

Lorena: Muito. Eu sou bem assim também. Falando em identificação, qual foi a crônica que mais pegou pra vocês? Pra mim foi definitivamente “A crise da poeira desnecessária”. Em plenos quatro anos e meio de jornalismo, simplesmente tirei uma foto e mandei no grupo da sala. Rolou um grande amor pela nossa melhor-amiga-que-não-sabe-disso-ainda Jout Jout.

Marina: Definitivamente “A crise da liberdade excessiva”. Eu tinha, na mesma semana em que li o livro, passado por uma situação parecida. Fiquei uma hora no mercado sem conseguir decidir se eu merecia me dar um vinho + queijos + talvez chocolates de presente, ou se deveria ser responsável e economizar. Foi desesperador, e no fim levei só o vinho. Acho que essa crise conversa bastante com a Síndrome da Netflix, em que passamos mais tempo escolhendo do que assistindo coisas, e assistimos enquanto uma parte de nós está pensando nas outras coisas que você poderia ter escolhido.

E sobre fazer pensar, a Jout Jout tem esse jeito, quase marca registrada, de abordar temas pesados de maneira mais palatável. Disso eu destaquei esse trecho, que tô considerando mandar na próxima carta que escreverei pra minha vó:

“É engraçado como chegamos a conclusões muito diferentes quando questionamos um costume que já está arraigado em nossas entranhas. Você percebe que nem concorda com grande parte deles e que só continua fazendo algumas dessas coisas porque nunca as questionou.”

Mareska: A da poeira pegou aqui também, mas a mais-mais foi a da falta de talentos. Qualquer cinco minutinhos de descontrole eu tô lá firme e forte no MAS EU NÃO SEI FAZER NADA. E tive identificação imediata com aquela em que ela comenta sobre ter encontrado o colega de curso em Paraty e ter entrado em parafuso sobre profissões e empregos e obrigatoriedade de fazer coisas porque todo mundo em volta parece que tá Fazendo Alguma Coisa da Vida, menos você.

Lorena: SIM!

Marina: Antes de me despedir, queria comentar duas coisas do livro físico, afinal tô fazendo uma matéria na faculdade de produção gráfica e ando reparando no corpo, não só no conteúdo. Uma é que a foto dela na orelha é uma das melhores fotos de autoras que eu já vi. Parabéns e obrigada. Outra é que, se você encosta o livro aberto enquanto está lendo, o desenho da capa fica do lado certo e a Jout Jout te olha. Achei fofinho.

Mareska: É um livro confortável. Eu vestiria se ele fosse um suéter.

Marina: Se você estiver lendo isso, Jout, saiba que nosso squad está de portas abertas pra te receber, com abraços e kebabs. 

Mareska: Tá tudo bem ficar mal e ter crises de vez em quando ou de vez em de cinco em cinco minutos. Tá todo mundo nessa. Tá todo mundo mal junto, e tá tudo ok.

Lorena: Acho que esse é o ponto. Há crises maiores e menores, mas todas elas são válidas e muito melhores de se lidar se a gente conversa sobre. Me fez pensar na importância de migas e de redes de apoio ao nosso redor. Famílias, nas suas mais diversas formas.

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