Sobre ser vegetariana


Texto: Ariel Carvalho

Quando se é vegetariano ou vegano, uma das perguntas mais comuns que fazem é: “por que você parou de comer carne?”

A verdade é que não sei bem como responder essa pergunta, e nem sei em que momento decidi não comer mais. O que lembro é que, no Ensino Médio, eu cansei de comer coisas que não gostava e cansei de colaborar com a morte de animais.

Não como carne há quatro anos. A transição começou comigo deixando de comer carne de porco, que sempre odiei, mas era “forçada” a comer. Era o tipo de alimento que me fazia olhar um prato de comida e perder completamente a fome. Não gostava do paladar, do aspecto, e comia simplesmente porque me diziam que tinha que comer.

A imposição da carne na minha dieta me impedia de comer coisas que eu gostaria muito mais de provar. No lugar de um hambúrguer vegetal bem temperado, eu tinha que comer o velho hambúrguer de carne que, invariavelmente, me deixava estufada e que eu não curtia nem um pouco.

A parte mais difícil foi, sem dúvidas, largar o frango. Dentre todas as carnes, as minhas favoritas eram a de frango – inclusive, não dispensava um coração de galinha – e carne de churrasco, com – pasmem – bastante sangue. Se me deixassem, eu comeria sanduíches com peito de frango em diversas refeições, mas nada disso me fazia bem.

Além disso, eu havia decidido cortar de vez qualquer tipo de alimento proveniente da morte de animais, e não ia desistir. Não foi fácil, mas consegui.

Existe uma crença comum de que somente carnes animais possuem proteína, o que é um tremendo engano e só gera problemas. Nesses anos, já perdi as contas de quantas vezes me perguntaram como eu faço para conseguir proteínas. É chato, cansativo e sem graça, assim como todas as piadas que seguem esse questionamento (“minha comida caga na sua”, “nós estamos no topo da cadeia alimentar” e afins).

No fim, eu passei a me relacionar melhor com o que como, porque escolhi comer o que gosto. Não me sinto culpada ao fazer meu prato e me sinto à vontade para cozinhar o que der na telha. Como não tenho a carne, meu prato fica mais colorido e diversificado, com uma variedade que eu dificilmente conseguia comer quando a carne estava ali.

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Sobre Ariel Carvalho

Ariel é uma lua de Urano, um espírito do ar, um sabão em pó, uma marca de carro e uma pequena sereia, mas também é uma bibliotecária carioca que não consegue terminar a meta de leitura, sabe tudo de Monty Python e chora com filmes de ficção científica.