Os sinais de um assassino


Texto: Ariel Carvalho

De Martin Freeman com sotaque americanizado a um vilão multifacetado interpretado por Billy Bob Thornton, a primeira temporada de “Fargo” é fantástica não só no quesito história, mas também no quesito elenco.

No entanto, a maior surpresa do elenco não é um rosto muito conhecido. Russell Harvard interpreta Mr. Wrench, personagem que intriga em sua primeira aparição. Wrench é um assassino da Fargo, mas o seu grande diferencial é que ele é surdo.

Assim como seu personagem, Russell é surdo. Nasceu assim, e acreditou por um tempo que não conseguiria atuar devido a isso. Mas, de uma peça off-Broadway a Fargo, sua carreira de ator vai bem.

“O personagem não é específico por ser surdo, ou por ter problemas relacionados à surdez”, disse Russell Harvard. “É só Fargo, ponto final”

No set, uma intérprete de ASL (American Sign Language, a língua de sinais americana) o avisava quando os atores tinham dito essa ou aquela fala, e foi o próprio Harvard que adaptou suas falas do roteiro para ASL.

Além de ser algo interessante e inusitado, é um exemplo de representação. Oferecer esse papel a Russell lembra que os surdos podem sim estar em espaços como a televisão, e mostra como os ouvintes estão despreparados e não conhecem as linguagens de sinais.

E mais: mesmo sem proferir uma palavra, Wrench consegue ameaçar e colocar medo em qualquer personagem da série. A atuação de Russell é maravilhosa, e ajuda a desbancar mitos.

Se quiser ler mais, Russell escreveu um relato para o Broadway.com sobre línguas de sinais, e você pode lê-lo em inglês aqui.

Fargo, a série, foi inspirada no filme homônimo dos irmãos Coen, e retrata fatos violentos que “aconteceram” em Minesota. A terceira temporada estreia dia 19 de abril.

Compartilhe:

Sobre Ariel Carvalho

Ariel é uma lua de Urano, um espírito do ar, um sabão em pó, uma marca de carro e uma pequena sereia, mas também é uma bibliotecária carioca que não consegue terminar a meta de leitura, sabe tudo de Monty Python e chora com filmes de ficção científica.

  • Que interessante, não sabia sobre esse detalhe da série (na verdade, foi só esses dias que soube dessa série hahaha)! Sempre legal ver representatividade assim. Me lembrou de Switched at Birth, que apesar de ter um milhão de problemas (maioria de roteiro preguiçoso), tem essa questão da representatividade surda bem presente, e é, sem dúvida, um dos pontos mais fortes da série (e que ainda me faz achar ela é bastante importante).