Silêncio tem força – Editorial #22


Texto: Milena Martins e Lorena Pimentel

Silêncio tem força.

Escolher o silêncio pode ser tão poderoso quanto falar. Da mesma forma, ter apenas o silêncio como ação possível diz muito sobre qual narrativa venceu. Porque histórias nada mais são do que disputas de poder. Cada um conta aquilo que melhor se encaixa nas próprias crenças, e cada história só é repetida como verdade quando um dos lados ganha.

 

Silêncio é força.

Poder quebrá-lo é direito, mas muitas vezes se torna privilégio.

 

Há quem queira falar ou gritar, mas será que é assim tão fácil? As histórias que podem ser contadas muitas vezes são só as que não incomodam quem ouve. Nessas horas, a resistência encontra um meio de existir mesmo no silêncio.

 

Há resistência em ouvir quem tomou coragem pra falar.

Há resistência amordaçada.

Há resistência ao contar histórias inventadas pra tentar falar da realidade.

Há resistência em existir. Em falar. Em calar.

 

Existem aquelas coisas que preferimos não mencionar. Intimidades complexas, elefantes na sala de estar, marcos históricos que nos deixam desconfortáveis. O que estiver nos movendo não importa tanto quanto a força que o silêncio (seja ele escolha ou imposição) tem.

Algumas histórias venceram, outras ainda precisam ser contadas. Em setembro a Pólen conta algumas. E tenta falar.

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