Ser vista e ser ouvida – Editorial #17


Arte: Clara Browne

Em março do ano passado, fizemos um mês das mulheres aqui na Pólen. A ideia era falar só de escritoras, de livros escritos por mulheres, dos problemas e clichês que as mulheres enfrentam na literatura. Para isso, também fizemos com que só as mulheres da equipe escrevessem durante o mês.

Em 2016, resolvemos fazer em abril e mudar um pouco a história. Não é novidade que aqui buscamos a multiplicidade de histórias feitas por e para mulheres, mas dessa vez resolvemos ampliar ainda mais o espaço. Dessa vez queremos falar sobre as nossas histórias. Mais uma vez, vamos falar só de trabalhos de mulheres, mas dessa vez queremos ir mais a fundo.

Como diz Chimamanda Ngozi Adichie, existe o perigo da história única. Quando estamos falando de um grupo específico de pessoas, tendemos a colocá-las todas dentro de uma mesma categorização. Mas sabemos, por experiência própria, que não existe só uma história de mulher. Não existe uma classe única de mulheres.

Porque mulheres têm diferentes vivências, porque nem toda literatura é feita igual, porque cada meio tem suas dificuldades de representatividade e, acima de tudo, porque cada uma de nós tem a sua história. Pensando nisso, a Pólen em abril vai mostrar a complexidade das mulheres.

Dividimos muito: nossas experiências se cruzam, se assemelham, se aproximam. Mas também se afastam em diversos momentos. Em abril, queremos contar como chegamos até aqui e queremos ouvir histórias diferentes das nossas. Em que nós, mulheres que escrevem, nos assemelhamos às mulheres quadrinistas? Às mulheres artistas plásticas, às programadoras? Às mulheres que nunca puderam explorar algum talento específico? Em que somos diferentes? E como nossas vivências podem se juntar e formar algo maior?

Acreditamos que representação importa e que, acima de tudo, importa poder contar histórias. O poder sobre a própria história é o que buscamos todos os meses, mas dessa vez queremos também aumentar nossos espaços. Queremos e acreditamos na possibilidade de compartilhar e aprender mais sobre as outras. Estamos aqui pra entender como a vida acontece: a nós, às nossas vizinhas e àquelas que nunca conhecemos. E o que cada uma fez com isso.

Esse é o nosso pedido da vez: ouça a nossa história, mas por favor, não esqueça de contar a sua também.

 

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