Full(er) House: sempre cabe mais um


Texto: Ariel Carvalho

 

De todas as famílias possíveis, a primeira que eu me lembro de ter visto na televisão foi a Tanner. Quando eu era bem pequena, a Warner passava a série com o título “Três É Demais”. Apesar de não lembrar quase nada da série, sempre guardei comigo a lembrança de sentar para assistir com meus pais. A série, originalmente chamada de Full House, conta a história de um pai (Danny Tanner, vivido pelo lindo Bob Saget) cuja esposa faleceu há pouco tempo, e das dificuldades que ele tem em criar três filhas sem a esposa. Ele conta com a ajuda do cunhado (John Stamos vivendo o tio Jesse) e do melhor amigo (Joe, vivido por Dave Coulier). Mas nem sempre é fácil.

O núcleo familiar de Full House é bem peculiar. Além do pai viúvo e dos tios, temos as três filhas, Michelle, Stephanie (Jodie Sweetin) e D.J. (Candace Cameron), aparições ocasionais dos avós, Becky (Lori Loughlin, a namorada de Jesse) e a melhor amiga de D.J., Kimmy Gibbler (Andrea Barber). Ela passa tanto tempo na casa deles que se torna parte da família.

A maior parte das pessoas conhece a série por ela ter sido o primeiro trabalho das irmãs Olsen (que atuavam como a irmã mais nova, Michelle) ou, até mesmo, pelos inúmeros bordões. Mas a série é mais do que um alívio cômico.

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Full House é sim uma série de comédia, às vezes de forma exagerada, o que é consequência de ter dois comediantes (Saget e Coulier) no elenco. Mesmo assim, como toda a história gira em torno da perda de alguém querido, ela tem uma grande pitada de drama, que traz peso e maior tridimensionalidade à narrativa.

Durante os oito anos que ficou no ar, Full House abordou muito bem a ausência da mãe sob o olhar das meninas, principalmente D.J. Na minha opinião, é uma das séries que melhor retrata pré-adolescentes. E Danny Tanner dá uma aula de compreensão das angústias das filhas.

Talvez minha coisa favorita na série seja, aliás, o Danny. Ele não tem nenhuma vergonha de ser sensível, é o rei dos abraços apertados, e cria as filhas apesar de toda a reviravolta de sua vida – e de ter T.O.C. Ele é o responsável pela família ser o que é. Todos ali o amam de tal forma que estão dispostos a se sacrificar por seu bem estar.

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São essas mesmas pessoas que, anos depois, quando D.J. perde o marido, se prontificam a ajudá-la a criar os filhos (três meninos, dessa vez). É aí que começa Fuller House.

Trazendo todos de volta, a série é uma continuação de Full House, e serve para mostrar muito bem como a família Tanner sempre tem espaço para mais um. Além de Stephanie e de sua melhor amiga Kimmy, D.J. traz para a sua família toda a de Gibbler.

Esse grupo de pessoas tão diferentes, diversas e incríveis a sua própria maneira te envolve de uma forma que é difícil explicar. Afinal de contas, Fuller House jamais teria acontecido se milhares (talvez milhões?) de pessoas não se sentissem parte dessa família também.

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Sobre Ariel Carvalho

Ariel é uma lua de Urano, um espírito do ar, um sabão em pó, uma marca de carro e uma pequena sereia, mas também é uma bibliotecária carioca que não consegue terminar a meta de leitura, sabe tudo de Monty Python e chora com filmes de ficção científica.