Search Party (ou millennials mimados)


Search Party é um dos melhores trabalhos da Alia Shawkat. A atriz é mais conhecida por seu papel de Maeby, em Arrested Development, mas também brilha demais como protagonista do drama Paint It Black (onde vive uma jovem que fica viúva bem cedo). Mesmo assim, Search Party é uma destaque na sua carreira.

Nela, Alia interpreta a nervosa Dory Sief. A primeira temporada começa com o sumiço de uma colega da personagem, e é ela quem sugere ao grupo de amigos que partam em busca da tal garota (Chantal Witherbottom, interpretada por Clare McNulty). Já a segunda temporada explora as consequências de tudo que o grupo faz na primeira.

Em uma entrevista à Rookie, Alia disse que é uma série sobre millennials preocupados demais com o próprio umbigo. E esse é um resumo perfeito da obra de Sarah-Violet Bliss. Dory só decide ir atrás de Chantal para tentar se sentir melhor a respeito de sua própria vida, e seu grupo de amigos é, no mínimo, superficial.

Mais millennial do que esse pôster?

Estamos falando de um homem que vive praticamente em função de seu relacionamento com Dory, uma atriz desesperada em parecer boa pessoa e um aspirante a ator que pretende escrever as próprias memórias – sendo que tudo o que conta sobre sua vida é mentira.

A série é cativante não só porque o espectador quer entender os motivos que Chantal (rica, com uma boa família e um futuro brilhante) poderia ter para fugir, mas também porque é impossível que a nossa geração não se identifique – ao menos um pouco – com alguma das personagens.

Melhor com o tempo

Por mais que a primeira temporada seja angustiante, por conta de toda a procura por Chantal, a segunda temporada não fica atrás. Sem dar spoilers, o vital nessa temporada é que Dory aprenda a lidar com as escolhas que fez nos primeiros dez episódios.

A notícia de que a série havia sido renovada foi uma surpresa, porque executaram o season finale com maestria e houve quem reclamasse que não teria história para mais dez episódios. Erraram.

Os primeiros dois episódios da temporada já foram mais brilhantes do que os dois últimos da temporada anterior. Era de se esperar que todos que assistissem ficassem nervosos para saber o desfecho da história, mas cada episódio trazia um desespero maior. Difícil parar de ver.

O desenvolvimento das personagens também é incrível. Apesar de regredirem e não amadurecerem, é possível perceber quão egocêntricas elas são, na verdade.

Como boa millennial, não estou satisfeita com apenas duas temporadas. Acredito que a história de Dory Sief e seu bando de más decisões ainda gere muita trama.

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Sobre Ariel Carvalho

Ariel é uma lua de Urano, um espírito do ar, um sabão em pó, uma marca de carro e uma pequena sereia, mas também é uma bibliotecária carioca que não consegue terminar a meta de leitura, sabe tudo de Monty Python e chora com filmes de ficção científica.