Rocky Horror Picture Show


Texto: Ariel Carvalho

Era para ser um filme B de horror, uma espécie de homenagem e sátira aos filmes de terror da época, mas acabou se transformando no maior clássico cult. O filme tem o recorde de maior tempo de exibição – há um cinema em Munique que o exibe todos os anos desde 1975.

A trama de Rocky Horror Picture Show é a seguinte: um casal, numa viagem noturna, acaba chegando à casa de um cientista transsexual alienígena que está prestes a apresentar sua mais nova invenção: um homem musculoso que servirá como seu amante. Tudo isso embalado por músicas extremamente mal cantadas.

Se parece revolucionário e louco atualmente, imagine em 1975, o ano de estreia!

O que Richard O’Brien levou às telonas foi um filme com representação queer – o romance entre Frank N Furter e Rocky é explícito até demais -, que brinca com os limites da sexualidade humana (e alienígena), ao mesmo tempo em que faz uma justaposição do novo ao velho.

Eddie (o maravilhoso Meatloaf) é uma representação dos anos 1960, do rock clássico, e até se parece fisicamente com Elvis Presley. Enquanto Rocky (Peter Hinwood) representa os anos 1970, a explosão da liberdade sexual e uma mudança completa nos padrões de beleza e comportamento.

O filme todo é uma obra louca, cheia de absurdos (como a tensão sexual entre Janet e Rocky, enquanto Columbia e Magenta assistem) e muito dele pode parecer estranho à primeira vista, mas depois é normal se pegar cantando as músicas quando os créditos rolam, e sim, é aceitável se preocupar com o destino de Brad Majors e Janet Weiss.

 

A participação da audiência

Parte de seu sucesso como clássico cult se dá ao fato de que Rocky Horror extrapolou os limites da tela. Desde 1976, acontece a chamada audience participation, ou participação da audiência, onde os fãs do filme se vestem como os personagens (ou não) e interagem com o filme das mais diversas formas – jogando papel higiênico na tela, xingando o protagonista, completando falas, etc.

A prática se tornou tradição, e às vezes pode incluir um shadowcast, um elenco que fica na frente da tela encenando junto ao filme (talvez você já tenha visto isso em As Vantagens de Ser Invisível). Quem visita uma sessão com audience participation pela primeira vez é chamado de virgem e, em alguns países, precisa pagar uma prenda.

Aqui no Brasil, um grupo de drag queens realiza o evento em duas noites, todos os anos, próximo ao Halloween, no Rio de Janeiro. Alguns grupos LGBTQ+ também fazem eventos em São Paulo e Curitiba. Rocky Horror pode ter se tornado um clássico cult para muitos, mas para outros também é uma forma de resistência.

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Sobre Ariel Carvalho

Ariel é uma lua de Urano, um espírito do ar, um sabão em pó, uma marca de carro e uma pequena sereia, mas também é uma bibliotecária carioca que não consegue terminar a meta de leitura, sabe tudo de Monty Python e chora com filmes de ficção científica.