“Reparação”, Ian McEwan


Texto: Sabrina Coutinho

Geralmente sou contra a ~patrulha do spoiler~ que nos impede de contar qualquer coisinha a mais de algum livro, filme ou série. Sou dessas que pede para a amiga contar o final e depois assiste feliz, mesmo sabendo o que vai acontecer no final. Mas com Reparação não é assim. Vou revisar esse texto várias vezes atrás de qualquer palavra que possa estragar a experiência de quem vai ler ou assistir essa obra porque, olha, são tantos os sentimentos – eu jamais me perdoaria.

Na verdade, quando li o livro eu já tinha recebido todos os spoilers do filme, Desejo e reparação. Mas como a adaptação é incrível, totalmente fiel ao livro e tem a Kiera Knighley, não me importei – pelo contrário – me surpreendi e me entreguei à obra duas vezes, cheguei ao livro já sabendo que seria fã número um no final.

Contando só um pouquinho: em uma tarde britânica de 1935, a adolescente Briony Tallis não entende nada quando vê pela janela uma cena inusitada: sua irmã mais velha conversando com um amigo de infância e, em seguida, entrando sozinha e seminua na fonte do quintal da casa. Esse acontecimento esquisito, junto com outras histórias mal contadas, acaba tomando proporções inesperadas na mente imaginativa da menina, que sonha em virar escritora. Só que a história criada por sua imaginação pode acabar afetando muita gente.

O livro causa no leitor uma variedade tão grande de sentimentos que você termina sem saber o que pensar. Eu, pelo menos, terminei satisfeita, mas profundamente frustrada, até revoltada. Briony é uma personagem complexa, que nos faz refletir sobre a ingenuidade, a manipulação de informações, a moral e a insegurança.

Quem preferir assistir a história também não vai se decepcionar. A adaptação dirigida por Joe Wright passa toda a atmosfera e todos os desdobramentos, de forma bem parecida à construção do autor. É igualmente maravilhoso e apaixonante. A capa e o título acabaram ganhando um quê de Jane Austen, considerando o histórico de adaptações do diretor, mas essa é só mais uma surpresa para quem chega a ele esperando a tranquilidade da Inglaterra retratada pela autora.

Livro: Reparação, de Ian McEwan. Editora Companhia das Letras, 2002.

Filme: Desejo e reparação (2007), de John Wright. Indicado a 6 Oscars em 2008 e ganhador do Oscar de Melhor Trilha Sonora Original.

 

Compartilhe:

Sobre Sabrina Coutinho

Sabrina Coutinho tem 23 anos, é de São Paulo e estuda Editoração na ECA USP. Trabalha com educação no Quero na Escola e no tempo ~livre~ se mete em projetos culturais. É feminista, virginiana e sommelier de hambúrguer e cappuccino.