Raízes na leitura


O Brasil é considerado um país de não-leitores. Segundo a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” do Instituto Pró-livro realizada em 2011, o brasileiro lê em média 4 livros por ano, sendo somente 2,1 deles inteiros. Então, torna-se interessante saber como os leitores brasileiros se formam para que possamos influenciar as gerações futuras a adquirir esse hábito que amamos tanto.

Segundo a mesma pesquisa, os professores são apontados como os maiores influenciadores na formação de novos leitores. Com o papel de nos ensinar sobre literatura, os professores também são aqueles responsáveis por nos instigar a ler e achar determinados livros interessantes. Como conta a Jota Pluftz em seu canal, ela começou sua vida de leitora com o livro “A Turma da Rua Quinze”, de Marcel Aquino, porque sua professora leu o primeiro capítulo na sala e aquilo foi tão interessante para ela que foi necessário contar uma pequena mentira para sua mãe: ela disse que era necessário ler especificamente aquele livro para a aula, quando na verdade poderia ser qualquer livro.

Em segundo lugar como os maiores influenciadores de novos leitores temos os pais. Para ilustrar esse caso, gostaria de contar a história de uma amiga minha, a Pietra. Ela morava em São Paulo com a mãe e o pai dela morava no Rio de Janeiro. Para encurtar a distância entre os dois, o pai dela começou a presenteá-la com vários livros, nunca sem antes lê-los primeiro, para que depois os dois passassem horas no telefone conversando sobre aquelas leituras. A mãe da Pietra também foi uma grande influência na sua formação como leitora por ensiná-la o valor de um livro usado, que carrega a própria história além daquela que traz escrita. Com a ajuda dos dois, ela conseguiu também se desenvolver como estudante, pois a leitura a ajudava a aprender com mais facilidade e sempre se destacar na turma.

Mas e aqueles que não têm influência de ninguém nem em casa e nem na escola? Como eles podem se tornar leitores? Em terceiro lugar, temos a influência de amigos e aqui posso contar minha própria experiência sobre o assunto. Apesar de ter tido ótimos professores na escola, nunca me senti interessada a buscar livros fora da sala de aula. Quem realmente me influenciou foi um ex-namorado, na época atual, e o irmão dele. Eu sempre via esse namorado com um livro na mão e o irmão dele tinha uma parede cheia de livros perto da cama deles. Como sempre gostei do objeto livro e, bem, queria poder falar sobre esses assuntos com esse namorado, decidi pedir emprestado Percy Jackson e o Ladrão de Raios, porque já tinha assistido ao filme e gostado bastante. Foi então no dia 15/06/2012 que comecei a trilhar sozinha o caminho da leitura e desde então nunca mais parei.

Seja por meio da escola, parentes ou amigos (ou até namoradinhos), é sim possível virarmos o jogo e tornar o Brasil um país com muito mais leitores. Basta que cada um de nós façamos nossa parte de sermos um exemplo para todos a nossa volta, seja comentando sobre coisas interessantes que lemos e achamos que a outra pessoa vai gostar, dando livros de presente em ocasiões especiais, ou simplesmente deixando a pessoa te observar ler e aproveitar aquilo. E você? Já conseguiu influenciar alguém a se tornar leitor? Onde moram suas raízes na leitura?

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Sobre mariamarcela

Maria Marcela é paulistana, lê demais e pensa demais. É Grifinória de corpo e alma, mas com um pézinho ali na Corvinal. Literatura e escrita são sua terapia. Viciada em Twitter (@marcelacps).

  • Thaiany Almeida

    Parabéns pelo excelente texto!!!!
    Minha iniciação na leitura veio por intermédio de algumas professoras de português, sou leitora desde os 11 anos, comecei com as leituras “obrigatórias” que eram extremamente prazerosas pra mim, sei que esse não e o caminho trilhado por todas as pessoas principalmente por ser pedagoga, tenho várias críticas a escola nesse ponto, pois nem sempre é um leitura fácil e nem sempre está ligada ao contexto do aluno. Entretanto sei que há uma intenção muito maior e que a leitura obrigatória tem um papel social importantíssimo para formação.
    Como pedagoga consigo enxergar o papel que temos não somente na formação do indivíduo mas na construção de pessoas que além de ler, consigam escrever e se expressar bem.
    Mais uma vez, ótima pauta, é sempre muito interessante saber como as pessoas se encontraram na leitura, e como professora, é sempre uma aprendizado enxergar as estratégias que podem auxiliar no contexto escolar.