“Qualquer areia é terra firme”, Cristina Parga


Antes de começar, queria dizer que eu demorei um pouco mais de uma semana para começar a escrever essa resenha, porque eu fiquei tão surpresa com esse livro que simplesmente não sabia como escrever aqui sem ser imparcial e super fangirl e também porque eu queria escrever algo que fizesse jus a esse livro maravilhoso. Como todo mundo que eu falei desesperadamente após acabar esse livro disse que resenhas que mostram de verdade seu sentimento pelo livro são melhores vou escrever assim, ok? Então tá bem.

Embora que a própria narradora do livro o comece dizendo que a história é a mesma de sempre, é um pouco difícil coloca-la nessa categoria. Mas se pensarmos em uma descrição bem superficial dela talvez pareça. Afinal, Isabel é uma mulher nos seus 30 e alguns anos que está em um processo de readaptação após o fim de seu casamento e se vê de volta a casa dos pais depois de oito anos morando na Alemanha.

No livro, acompanhamos a readaptação da personagem a cidade do Rio de Janeiro que, embora ela tenha vivido lá grande parte da sua vida, já não mais parece a sua casa. Mas não é só isso, é também o processo de amadurecimento e reconciliação com a própria vida que a Isabel passa ao longo dos capítulos.

No meio desse turbilhão de confusões na qual a cabeça de Isabel se encontra, ela acaba por descobrir uma trama digna de novela dentro da sua própria família quando viaja com a sua mãe para São Luís e descobre uma tia que ela nunca tinha ouvido falar, mas que a deixa curiosa e um tanto quanto obcecada para saber mais sobre a sua história. O mais legal é perceber que enquanto procura saber mais sobre sua tia Juce, Isabel acaba também por se encontrando aos poucos.

Um dos meus trechos preferidos foi justamente o que ela fala que “Lembramos das coisas por partes, pedaços, lampejos de imagem que despontam e nos assaltam”. Que casa maravilhosamente bem com a narrativa dessa história que embora tenha uma parte do presente, vem marcada por lembranças e cenas do passado de Isabel que se confundem e se misturam em seus sonhos.

“Qualquer areia é terra firme” me encantou desde o seu título e fiquei muito feliz de ver que a história é tão bem amarrada e que faz realmente sentido todas mínimas escolhas narrativas. Embora seja um livro pequeno, eu confesso que demorei dois dias para ler porque eu simplesmente não estava pronta pra me despedir dele e quis aproveitar cada página. Com certeza já está entre os meus preferidos e eu já quase virei pregadora da palavra da Cristina falando dele para todo mundo que eu conheço. Por isso, vão ler esse livro maravilhoso!

Compartilhe:

Sobre Maynnara Jorge

Maynnara é paraibana, mas atualmente mora em São Paulo. Formada em Jornalismo e Produção de Moda. Ama ler, escrever e sente falta dos seus dois cachorros que ficaram na sua cidade. Ela também está no twitter como @maynnara_