Quais são minhas amizades favoritas e porque são as femininas (e feministas)


Texto: Bruna Romão

Desde muito pequena, sempre tive mais amigas do que amigos. Não que alguma vez na vida eu tenha sido uma pessoa popular e cheia das amizades. Mas, entre as  minhas (poucas) amizades, as meninas sempre foram maioria.

 

Quando a gente é criança, isso até que é bem comum (mas eu espero que esteja mudando com as novas gerações). Quer dizer, vivemos em um mundo que diferencia, o tempo todo, as coisas entre femininas e masculinas, de menino e de menina. E a infância é bem aquela época em que você está aprendendo a se identificar e se comportar de acordo com a caixinha de papéis de gênero em que te colocaram. Então, não é de se surpreender que eu tivesse mais amiguinhas do que amiguinhos, porque era com elas que eu me identificava. E eu queria brincar de boneca.

 

Mas aí chegou a adolescência e BAM! De repente, as meninas não são legais. Dizem que elas são falsas e querem te ferrar. Que o melhor mesmo é ser amiga dos meninos. Eles são sinceros e divertidos. Você é mais descolada se for amiga dos meninos.

 

Bem, eu nunca fui descolada. E ainda bem. Eu não sabia naquela época, mas as minhas amigas são uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida. Tenham elas chegado há muito ou pouco tempo. Inclusive as que por algum motivo acabaram se afastando nesse processo que a gente chama de crescer.

 

Nada contra os homens, inclusive até tenho amigos que são (e amo todos). Mas as amizades com mulheres são as minhas favoritas porque são atos de resistência em um mundo que diz que mulheres não são amigas de verdade.

 

Porque a gente está mandando aquele mito ridículo da rivalidade feminina direto pro inferno.

 

Eu amo minhas amizades femininas por nenhum dos clichês sobre amizade entre mulheres que a gente vê por aí. Amo porque me fortalecem. Porque me sinto em casa. Porque me fazem uma pessoa melhor. E uma feminista melhor.

 

E acho que posso dizer que o que a gente tem é muito melhor do que a tal da broderagem masculina. Sério. Nós estamos aqui, umas para as outras, o tempo todo. As amizades femininas são as minhas favoritas porque são fáceis e naturais. Porque são cheias de empatia, aceitação e de cuidado mútuo – cuidado esse que pode ser uma tarde preguiçosa conversando no parque, ou uma bronca igual a da Jamie Lee Curtis.

 

(Já ganhei várias dessas nos momentos de auto-depreciação. Obrigada migas <3)

 

O engraçado é que, mesmo tendo crescido com mais amigas, faz pouco tempo que eu percebi o quanto elas são importantes. Os últimos dois ou três anos não foram exatamente fáceis para mim. Eu passei pela crise do TCC, crise do fim da graduação, crise com a profissão escolhida, crise com o trabalho, e mais crises, muitas crises. Elas também, cada uma com suas crises, às vezes todas com a mesma. Mas não houve nenhum momento em que a gente não tenha se ajudado. Nenhuma vez em que elas não tenham trazido um pouco de sol para os meus dias nublados. Foi assim que eu aprendi de verdade o que é sororidade. E é por isso que eu decidi que essas são as minhas amizades favoritas.

 

Como diz Lady Gaga: Hey, girl! We can make it easy if we lift each other.

 

E eu tenho muita sorte de ter mulheres tão incríveis me levantando e caminhando ao meu lado.

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