“Quadrinhos dos anos 10”, André Dahmer


Texto: Ariel Carvalho

Uma sociedade obcecada por consumo, informação e cheia de corruptos, ladrões e discursos de ódio. É algo forte e extremamente negativo, mas é a realidade da sociedade na qual vivemos. André Dahmer, um carioca de 42 anos, retrata essa realidade em seu livro “Quadrinhos dos anos 10”.

De forma ácida e direta, às vezes até dolorosamente, o autor passa por temas como aborto, fast food e a obsessão pela internet. Um dos temas recorrentes de seus quadrinhos é a hipocrisia, muitas vezes aliada ao consumismo e ao egoísmo.

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Pessoalmente, as minhas favoritas são as dos professores. Nelas, as imagens são tão importantes quanto texto, e as tirinhas são um pouco mais sutis do que as outras.

A própria capa já é um indício do que esperar do trabalho de Dahmer: críticas a um mundo onde se trabalha muito, se passa muito tempo online, e se morre tentando enriquecer.

 

São 319 páginas recheadas por tirinhas sinceras, que dizem, sem rodeio, tudo aquilo que vez ou outra passou pela sua cabeça ao pensar nos dias atuais. É fácil passar por cada página e pensar “meu Deus, será que eu sou assim?”: as personagens nos remetem a conhecidos (reais ou virtuais) e pessoas influentes. Trata-se de um livro tão verossímil que chega a incomodar.

O resumo da contra capa afirma que o riso é “meio doído, mas um riso mesmo assim”. Eu não poderia definir melhor. Ao ler Dahmer, estamos rindo da nossa própria desgraça – e adorando isso.

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Sobre Ariel Carvalho

Ariel é uma lua de Urano, um espírito do ar, um sabão em pó, uma marca de carro e uma pequena sereia, mas também é uma bibliotecária carioca que não consegue terminar a meta de leitura, sabe tudo de Monty Python e chora com filmes de ficção científica.