‘Psicose’, Robert Bloch


   Original: Psycho
   Autor: Robert Bloch
   Editora: DarkSide Books
   Nota: 4 estrelas

Muitas pessoas conhecem muito bem a história de Psicose, principalmente graças ao filme de Alfred Hitchcock. Como não ser familiarizado com aquela famosa e assustadora cena do chuveiro? Ou a casa no alto da colina, com a sombra que te observa por trás das cortinas? Ou até mesmo o famoso letreiro do motel Bates? A história faz tanto sucesso que desde 2013 existe uma série para a tv, chamada Bates Motel.

chuveiro psicose

O filme de Hitchcock foi totalmente baseado no livro de Robert Bloch, de 1959. Bloch teve a ideia para o livro depois de ler nos jornais o caso de Ed Gein, acusado de matar duas pessoas e fazer outras coisas horríveis com as pessoas e seus corpos (obviamente não vou colocar exatamente o que ele fazia aqui, mas vocês podem encontrar a lista na internet. Porém, quero deixar claro que não recomendo que você faça isso, já que é triste, horrível, nojento e tira um pouco da fé na humanidade). O caso de Gein também inspirou outros filmes de grande sucesso nos cinemas, como O massacre da serra elétrica, de 1974 e O silêncio dos inocentes, de 1991.

Psicose é, principalmente, sobre medo. Norman Bates, a personagem central da história, é um homem de 40 anos que comanda o motel da família, já que sua mãe está muito velha e incapacitada. O homem, que cresceu convivendo apenas com a sua mãe, tem um relacionamento obsessivo com ela. Nos primeiros capítulos já descobrimos o seu sintoma: Síndrome de Édipo. Ao mesmo tempo que Norman não vê a hora de se ver livre da mãe, ele precisa que ela fique ao seu lado, para protegê-lo de todos os males do mundo – nesse caso, as mulheres.

Desde pequeno, Norman ouve sua mãe falar que todas as mulheres (exceto ela, é claro) não prestam. Elas são o “caminho para o mal”. Elas são o que há de pior no mundo. E Norman leva isso para a sua vida. As mulheres vão rir dele, vão tratá-lo de maneira errada. Norman, então, acaba desenvolvendo um repúdio e medo em relação às mulheres.

Do outro lado, temos Mary Crane, a moça que foi morta no chuveiro. A pessoa que estava no lugar errado na hora errada. Mary tem medo de ser pega. Depois de fugir com uma quantia absurda de dinheiro que roubou da empresa onde trabalha, Mary se arrepende. Porque está chovendo muito, a moça decide parar no motel para passar a noite. No dia seguinte ela voltaria à sua cidade e poderia consertar as coisas na segunda-feira. Mas Mary não tem essa oportunidade. Lila Crane é outra personagem que passa o livro todo com medo. Medo do que pode ter acontecido com a sua irmã. Ela tem certeza que algo está errado e vai até o final para provar. Esse é um dos pontos altos do livro, já que Lila é a pessoa que descobre o que aconteceu com sua irmã e parte do mistério envolvendo Norman Bates.

O livro tem apenas 256 páginas e é impossível deixar de lado. A leitura corre e você fica doido para ler o próximo capítulo e o próximo e o próximo… Toda linha é necessária para o entendimento das personagens e da história. Nada ali foi escrito para ser um filler, tudo tem um motivo. Ao decorrer da história você consegue pegar umas dicas do final e entender o que fez Norman ser o que ele é – e talvez isso fique ainda mais claro se você estiver acompanhando a série (eu ainda não vi, então não posso comentar muito sobre ela!).

Se eu não conhecesse a história e não tivesse visto o filme inúmeras vezes, talvez a leitura poderia ter sido mais emocionante, pois as reviravoltas com certeza me fariam perder o ar e gritar. E foi por isso que eu deixei de dar uma estrela para o livro. Eu já conhecia o ingrediente que me deixaria de boca aberta. Mas, mesmo sabendo o que acontece no final, Psicose é uma ótima companhia para quem gosta de visitar mentes perturbadas e levar sustos de vez em quando.

Não quero entrar em detalhes sobre todo o final porque pode ser que alguém ainda não conheça. Caso esse seja você, veja o filme ou leia o livro. Você não vai se arrepender. E ainda vou deixar aqui uma informação que talvez alimente ainda mais a sua vontade de conhecer Psicose: Hitchcock comprou os direitos do filme por US$9,500 e depois tirou todos os livros de circulação para que o final não fosse estragado. Ele queria fazer suspense da melhor maneira. E, com a ajuda da obra de Bloch, conseguiu.

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Sobre Rovena

Rovena é de Vitória, formada em Relações Internacionais e atualmente cursa Letras-Inglês. Gosta muito de ler e ouvir música enquanto escreve. Grifinória, feminista e especialista em tretas do blink-182. Está no twitter (@rovsn).