Profissão: Mentirosa


Eu vivo de contar mentiras.

Disse isso uma vez, não lembro quando, pra não lembro quem. Até hoje, foi a forma mais verdadeira que eu já encontrei de definir o meu trabalho. Ser escritora é isso: é mentir no papel, criar uma lorota complexa e comprida, uma mentira que se estende por centenas de páginas, tão bem contada que, por algumas horas, dias ou semanas, alguém vai acreditar que é real.

Talvez seja por isso que eu goste tanto de mentir.

Não me leve a mal. Não estou dizendo que de cada 10 coisas que eu falo, 6 não são verdade. Não é como se eu saísse por aí mentindo sobre tudo para todo mundo. Mas, enquanto contadora de histórias, gosto de saber os limites que posso atingir dentro destas minhas construções. Até onde a verossimilhança alcança? Se eu acreditar, naquele segundo, que é verdadeiro, então será?

Um dia invento um nome pra moça da cafeteria. No outro, crio uma resposta mirabolante pra alguma pergunta que um taxista me fez. Finjo uma personalidade nova pra alguém que conheci na balada. Minto, minto, minto. Ponho meus personagens ao teste na vida real, e assim eles ganham consistência. Testo os limites das minhas criações pra saber se elas se garantem sozinhas. Se eu não souber mentir em voz alta, saberei mentir no papel? E, se eu não souber, alguém, algum dia, vai comprar aquela lorota gigantesca que eu estou tentando vender?

Meu nome é Larissa. Ganho a vida (mais ou menos) contando mentiras; pra um estranho na rua, pra mim mesma no espelho, pra você, enquanto lê este post. No fundo, eu sei que todo mundo gosta. Do contrário, eu não teria um emprego.

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