Procuramos independência – Editorial #10


A gente passou o mês de agosto falando sobre as identidades que fazem parte de nossas vidas: onde nascemos, quem conhecemos, do que gostamos e não gostamos, o que vivenciamos. Todas essas coisas se misturam e formam aquilo que nós somos, certo?

Mas agosto acabou e agora queremos falar de outro assunto igualmente importante: independência. Nós somos dependentes. Dependentes de outras pessoas, dos lugares, da nossa zona de conforto, o que seja. Não existimos em um vácuo e cada um de nós faz ligações mais ou menos fortes durante a vida. Mas algumas dessas precisam ser quebradas. Procuramos independência e ela nem sempre é fácil.

Você pode estar mudando de cidade, terminando um relacionamento, mudando seus hábitos, cortando relações ou, por que não, se formando? Pedindo demissão pra trabalhar debaixo do edredom (variante de veraneio seria na varanda)? Conquistar sua independência emocional e desapegar dos padrões sociais?

Já no universo literário, independência pode ser a auto publicação, editoras independentes, a escolha do conteúdo que nós lemos, os personagens que ignoram qualquer adulto da história e salvam o mundo, ou os que são obrigados a isso.

A própria existência da Pólen é um pedido de independência. Somos uma tentativa de abrir novos espaços onde contar histórias (inclusive a própria) não seja algo tão inalcançável. Nenhuma liberdade estará completa sem que vozes diferentes sejam ouvidas. Ninguém será independente sem ter a chance de falar.

Independência não é fácil de se conquistar, essa é a verdade. Mas preferimos ela à morte.

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