Ponto e vírgula


Há um ou dois anos atrás, resolvi começar uma coluna no meu canal chamada “Diários de Escrita”. Começou pra ser um relato sobre a minha rotina de escritora – o que eu estou escrevendo, revisando, como é, etc – mas acabou virando uma central de desabafos. Não era para menos: posso não ter a rotina mais agitada do mundo, mas com certeza tenho fortes emoções pra contar.

Muita gente se pergunta como é o dia a dia de alguém que trabalha com escrita. Ano passado, tive a experiência de ficar 365 dias fazendo nada mais do que escrever – ou esse era o plano. Sem emprego, no meu chamado “ano sabático” (pura desculpa, eu sei), dividi meu tempo entre séries, filmes, livros e escritos. Terminei um livro, comecei outros tantos projetos. Escrevi, escrevi, escrevi. E aí percebi que precisava sair pra ver o mundo.

A coisa é que escrever é um trabalho meio solitário, na maior parte do tempo. Mesmo de frente pro computador, ligada na internet, eu não tinha muita companhia. A ficção só te mantém aquecida até um certo ponto, e aí é preciso parar. Quando dei por mim, passava cinco dias trancada no quarto, olhava pra fora e o tempo tinha se esvaído.

Engraçado como a coisa muda de figura quando a gente menos espera. Depois de um ano em casa, agora não consigo passar mais de meia hora por dia na frente do computador. Virei professora, e a escritora acabou se escondendo num cantinho do quarto. Ainda não encontrei o equilíbrio. Meu dia a dia é feito de pontos e vírgulas. Faço uma coisa, tenho uma pausa, faço outra, pauso de novo, paro. Respiro. Dou um parágrafo e começo tudo de novo.

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