‘Para sempre Alice’, Lisa Genova


  alice 

   

   Original: Still Alice
   Autora: Lisa Genova
   Editora: Nova Fronteira
   Nota: 4 estrelas

Para sempre Alice é o primeiro livro de Lisa Genova. A autora é ph.D. em neurociência pela Universidade de Harvard. Publicado em 2007, o livro venceu no ano seguinte o Bronte Prize, ficou 40 semanas na lista de bestseller do New York Times e foi para os cinemas em 2014, com Julianne Moore (vencedora do Oscar por melhor atriz) e Kristen Stewart (vencedora do meu coração).

Alice é uma mulher de 50 anos de idade, professora e pesquisadora, sempre presente em conferências, sempre se lembrando de todas as informações importantes e necessárias. Um dia, Alice começa a esquecer e acredita que seja apenas estresse, menopausa ou talvez uma depressão. No entanto, Alice é diagnosticada com mal de Alzheimer, uma doença degenerativa.

Os dois primeiros esquecimentos de Alice são coisas bobas, mas consigo entender por que ela ficou desesperada. Imagine que você está dando uma palestra na frente de muitas pessoas e, do nada, se esqueça de uma palavra e só se lembre horas depois. Isso nunca aconteceu com você antes, pois sua memória é incrível. Depois, você está fazendo a sua corrida diária e quando precisa voltar para casa não se lembra qual caminho deve seguir. Por alguns segundos, você começar a acreditar que talvez não chegue em casa. Eu não sei vocês, mas essas duas situações me assustam igualmente. Foi assim que Alice desconfiou que havia algo de errado com ela.

A primeira reação de Alice foi negar que estava com a doença. A princípio ela não queria contar ao marido e aos filhos – e só mudou de ideia porque sua doença é genética. Ela chegou a pensar em se matar e um determinado momento desejou estar com câncer, porque assim teria algo a combater e uma possível cura. A autora nos mostra como Alice convive com a sua doença: desde lembretes no celular até bilhetes espalhados pela casa. A doença avança rapidamente e Alice tenta, com todas as suas forças, não se esquecer do seu passado. Seus filhos gravam três DVDs, cada um contando uma história, assim Alice pode assistir e se lembrar, mesmo que momentaneamente, da sua família.

O livro nos faz pensar. Imagine como deve ser esquecer quem são aquelas pessoas que estão a sua volta. Imagine esquecer onde você está. Ou pior, quem você é. Imagine isso acontecer com uma pessoa que sempre acreditou ter total controle de sua mente e sempre se orgulhou de se lembrar dos mínimos detalhes. Alice perde a sua carreira e parte de seus amigos. Ela perde a sua liberdade e auto-estima.

Os capítulos finais do livro são emocionantes. Temos Alice com a sua memória afetada quase por completo. Ela vai dar uma palestra sobre o mal de Alzheimer e diz que não é definida por sua doença. Ela sofre com o mal de Alzheimer, mas é muito mais do que isso. Alice é mãe, esposa, avó, amiga. Ela continuará sendo quem sempre foi. Alice sempre será Alice.

Recomendo a leitura. ‘Para sempre Alice’ é uma boa maneira de conhecer um pouco mais sobre essa doença e como ela afeta a vida das pessoas – tanto quem tem e quem convive com o doente. A história não é triste, mas sim um pouco desesperadora. É sempre ruim ver uma pessoa se perder e não ter como voltar. ‘Para sempre Alice’ é um livro único.

Compartilhe:

Sobre Rovena

Rovena é de Vitória, formada em Relações Internacionais e atualmente cursa Letras-Inglês. Gosta muito de ler e ouvir música enquanto escreve. Grifinória, feminista e especialista em tretas do blink-182. Está no twitter (@rovsn).

  • Rovena Naumann

    Analu e Lore, LEIAM!
    Também fiquei preocupada com isso no começo da leitura, mas valeu a pena. É triste, mas forte. É necessário.

  • Idem

    – Lorena

  • Ei Rovs! Uma colega de trabalho minha tá recomendando esse livro no hard pra mim e sua resenha só me deu mais vontade. The problem is: Alzheimer é uma das coisas que me apavora TANTO que prefiro não ter que lidar com a existência e fujo dessas histórias que nem o diabo da cruz, como proceder?