Para onde vamos não precisamos de estradas – Editorial #16


Passamos muito tempo pensando no futuro. Nosso próprio futuro e o futuro de uma forma maior. O que vai acontecer no trabalho amanhã? A notícia do jornal sobre alguma investigação política dará algum resultado? Quem vai ganhar as eleições? O que vai ter de almoço no quilo? Será que vai fazer muito frio nesse inverno? Vai dar tempo de entregar aquele trabalho no prazo? Esqueci de pegar um guarda-chuva, será que vai chover na hora de ir embora? (Spoiler: vai). O que vou comer no jantar? Será que vai ter fila no supermercado? E se acontecesse um apocalipse daqueles que a gente vê no Discovery Channel, será que ficaríamos para sempre presos em filas de supermercado?

Poderíamos adotar a postura de histórias-de-inspiração-da-internet e pôsteres que alguém coloca no Pinterest e te dizer Viva o momento!, mas ninguém consegue levar o carpe diem tão a sério e é inevitável ansiar pelo futuro ao mesmo tempo em que tememos o que nos espera. Tanto imaginar o que faríamos em um possível apocalipse zumbi quanto imaginar o que queremos fazer de nossas vidas: pode ser ótimo ou pode ser o maior gerador de ansiedade que você já viu na vida.

Alguns perdem noites com medo do que vai acontecer. Pode ser que tudo dê errado, já imaginou? Outros veem no que ainda não aconteceu a possibilidade de serem pessoas melhores, mais fortes, mais destemidas. Pessoas que fazem o que precisa ser feito, que já conquistaram o que queriam e que descobriram o segredo da vida. Claramente existe uma cartilha de Como Viver No Mundo, você pensa, então talvez no futuro alguém me entregue ela e eu passe a saber o que estou fazendo da minha vida.

Não é tão fácil assim, claro. O agora já foi futuro um dia e a realidade nunca é igual às expectativas, mas o fascinante do futuro é que ele ainda é só a expectativa. Sabendo dosar o que esperamos do futuro, ele pode nos ajudar mais do que atrapalhar. Ele pode ser nossa tela em branco, na qual imaginamos o mundo em que gostaríamos de viver. E ao invés de sentar e esperar esse mundo acontecer, podemos usar nossas expectativas para guiar nossas ações. Não precisamos ficar tão perdidos o tempo todo.

Um futuro distante, para nossos antepassados, significava roupas prateadas e skates voadores. Não chegamos lá ainda, mas isso significa que as previsões que fazemos para o nosso futuro também não serão certeiras. Não sabemos o que nos espera e nem devemos esperar a vida toda por isso. O futuro é tão grande que pode nunca chegar por inteiro e pode nunca chegar como gostaríamos. Mas ele está lá e de alguma forma isso pode ser reconfortante.

Você acorda todo dia de manhã e o futuro já chegou. A tela em branco espera por você. E não é bom saber que você pode tentar fazer tudo diferente amanhã também?

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  • David de Oliveira

    O futuro é uma tela branca 😍😍😍