Palavras invisíveis


Texto: Nina Spim

Sala de aula lotada. Professora que aguarda alguma resposta. Recebe o sibilo do ar-condicionado.

Celulares em mãos. Sorrisos que reservam gargalhadas. Nada além de um mínimo tec tec tec.

Sua melhor amiga. Não precisa de palavras verbais.

Três cenas. Três recortes. Existe muito guardado no cotidiano, em momentos despercebidos ou em momentos que se agigantam dentro da gente. Que faz eco na nossa mente. A verdade é que o silêncio se concretiza como toneladas quando percebemos o que ele significa – e o que não significa. Não raro se faz como pluma – um farfalhar no emocional, um toque de poesia que faltava no nosso dia.

Receber um silêncio é um sinal verde ou vermelho. Pode ser decepcionante quando não o decodificamos da maneira que prevíamos – sempre achamos que saberemos entendê-lo, talvez porque pareça tão simples; parece o vazio, o abismo, o irrecuperável. Mas pode ser uma parede colorida em meio a um universo monocromático: uma fagulha de felicidade, aquele sim que queríamos ter entendido muito tempo antes.

Houve situações de sinais verdes e vermelhos na minha vida. Aconteceram silêncios distorcidos, como se eu estivesse sintonizada numa estação em que o sinal se quebra e começa uma série de ruídos e chiados irritantes. Aconteceram silêncios limpos – os verdadeiros, aqueles em que não precisei me posicionar de qualquer outra forma senão com mais uma camada de silêncio. O único silêncio-poesia duvido até hoje, mas finjo que se concretizou, que não foi meramente um eco esquisito e errôneo do Universo.

Talvez não existam silêncios errados. Os receptores deles é que não puderam entendê-los. Alguns deles levaram mensagens neutras que foram ampliadas em megafones. Outros, levaram mensagens criptografadas que foram descartadas o mais rápido possível. Outros ainda, levaram mensagens em decibéis máximos que, nos ouvidos despreparados, incomodaram e foram diminuídos quase que por completo.

O silêncio sussurra, grita, implora. Está preenchido de uma comunicação repleta de elementos não muito usuais.
Placas de neon não são um deles.
Letras garrafais também não.
Ótima audição pouco ajudaria.

Essa comunicação é invisível e ilimitada. Aprende ela quem sabe olhar e ouvir o outro como a si mesmo.

Será que você sabe olhar e ouvir a si mesmo?

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Sobre Nina Spim

Escritora sonhadora dotada de blue feelings. Quer muitas coisas ao mesmo tempo. Acredita nas palavras mais do que na imagem. Não acredita na divisão das casas de Hogwarts, mas tem certeza de que é 70% Ravenclaw, 20% Hufflepuff e 10% Gryffindor.