Página não encontrada: a distância de ambientes virtuais


Recentemente, fiz um curso de conteúdo para redes sociais e fui apresentada a alguns dados numéricos interessantes. O Facebook é usado por mais de duas bilhões de pessoas no mundo inteiro. O Youtube, por mais de um bilhão. O Twitter, por mais de trezentas milhões. E o Instagram, por mais de oitocentas milhões. Essas são apenas uma parcela das redes sociais que existem no momento, óbvio – porque, na verdade, não dá para prever quando é que estarão em real colapso para logo em seguida serem substituídas por outras.

Há alguns anos, eu ouvi que os jovens estavam deixando o Facebook, sendo que esta rede, atualmente, é a mais usada por jovens-adultos (faixa entre os 25 e 29 anos), somando 29 milhões deles. Quando esta informação chegou a mim, eu ainda era lida como jovem-jovem (faixa dos dezoito aos vinte e quatro anos) e era assídua no Facebook, do qual participo há mais de oito anos. Na época, achei que algo assim seria impossível. Como assim as pessoas estão escolhendo quebrar o elo do online?

A partir de 2016, aconteceu um mudança gradual e positiva em mim, depois que comecei a meditar para controlar a ansiedade. Além de limpar e educar a minha mente sobre coisas cotidianas, a prática me trouxe uma queda da ansiedade digital: ficar longe das redes sociais, ou diminuir a frequência de uso, aconteceu sem medidas desesperadas ou sistemas de recompensas cerebrais. No início de 2017, testei abrir minhas notificações somente de fim de semana, e apenas uma vez. Funcionou também. É verdade que eu acabo perdendo aniversários, eventos legais e timings em comentários, mas a minha qualidade de vida percebeu que tudo bem ficar por fora disso tudo.

A questão em si não foi movida pela fuga drástica, mas por uma noção de distanciamento. Este artigo da Claudia Tajes, apesar de cômico, reflete a realidade das relações ansiosas por timings perfeitos, fotos perfeitas e vidas perfeitas que têm pouco a ver com a essência de ser humano. Nas minhas crises de ansiedade do passado, eu sofria quando ficava sem resposta em mensagens. E, aí, vem também aquele discurso que diz que quem quer sempre arruma um jeitinho, como se as pessoas não estudassem, não trabalhassem, fossem grudadas no celular 100% do tempo e pior: não fossem donas de seu próprio tempo. Ficar sem resposta, hoje, deixou de ser um problema para mim, porque eu sei que o tempo daquela pessoa não é meu.

A noção de comunicação mudou há tempos, mas que o tempo em si continua o mesmo. Às vezes, a gente está muito cansada para ligar o celular. Às vezes, temos outras demandas. E, às vezes, não queremos mesmo ceder esses minutos para alguém que não seja nós mesmos.

E tudo bem.

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Sobre Nina Spim

Escritora sonhadora dotada de blue feelings. Quer muitas coisas ao mesmo tempo. Acredita nas palavras mais do que na imagem. Não acredita na divisão das casas de Hogwarts, mas tem certeza de que é 70% Ravenclaw, 20% Hufflepuff e 10% Gryffindor.