“Os veranistas”, Emma Straub


Texto: Lorena Pimentel

Há algum tempo eu acompanho a Emma Straub na internet. Comecei pela Rookie e os textos que ela publicava lá e, com o tempo, a segui em redes sociais, coisa que costumo fazer com escritores que gosto. Às vezes noto que sigo várias pessoas sem ter lido seus livros, simplesmente por gostar do tom do twitter. Era o caso dela. Até que Os veranistas (ing: The Vacationers) foi publicado no Brasil.

O romance, que conta a história de uma família em crise que resolve passar o verão em Maiorca, é o tipo de livro que gera críticas intensas. Positivas, negativas, a verdade é que as pessoas por aí parecem ter opiniões fortes sobre o livro e esse é bem o tipo de livro que amo ler.

É uma história lenta, definitivamente character-driven e baseada nas questões que cada membro da família tem ao ocupar seu papel. Os novaiorquinos Posts estão passando por uma época difícil. Franny e Jim, um casal de meia-idade, estão lidando com uma crise no casamento. Sylvia, sua filha mais nova, lida com pressões pré-faculdade do fim da adolescência, autoimagem e os pais distantes. Bobby, o filho, tenta não quebrar as expectativas que a família têm ao seu respeito mesmo tendo saído de casa há anos. A viagem para Maiorca inclui também a namorada de Bobby, Carmen, que não é bem vista pela família Post por ser mais velha que ele (e, sejamos honestos, porque ela não tem a mesma classe social e educação que eles) e o melhor amigo de Franny, Charles, que também está lidando com suas expectativas dentro de um casamento.

“Emma Straub escreve sobre pessoas ricas fazendo decisões estúpidas” dizia uma resenha que li. E não poderia ser mais verdade. A família Post – e seus agregados – é cheia de problemas criados por suas próprias decisões. Colocá-los todos em uma casa isolada em uma cidade isolada de outro país é pedir para que todos os dramas aflorem. Bobby e Carmen enfrentam problemas de dinheiro. Jim quer reconquistar a esposa e se sentir inteiro mesmo tendo sido afastado de seu emprego como editor de revista depois de décadas. Franny quer viver aventuras, Sylvia quer perder a virgindade e Charles não sabe como se sentir a respeito de adotar uma criança com seu marido mais jovem.

No meio de tudo isso, eles têm que lidar uns com os outros. Enquanto em casa eles podem ficar isolados em seus próprios mundos, em Maiorca todos estão dentro de uma casa e os conflitos se misturam. Quando uma família carregada de expectativas e preconceitos é obrigada a ficar junta sob a fachada de férias felizes, isso traz à tona, ao mesmo tempo, o melhor e o pior deles. E os força a agir em seus problemas e falar sobre eles.

É esse convívio intenso e anormal para uma família moderna e cosmopolita como os Posts que expõe seus dilemas. E é justamente isso que torna o livro tão legal. Dramas familiares de pessoas privilegiadas sim, mas que são dramas familiares como quaisquer outros: traição, desapego, identidade, brigas, a própria noção do que é família e crescer em tudo isso.

Sem contar o cenário. Maiorca, na Espanha, tem um quê paradisíaco, mas nessa viagem o sol e os pontos turísticos mais causam problemas do que ajudam: quando a família faz um passeio, a tensão aumenta com a tentativa de manter uma imagem de viagem alegre em grupo.

A escrita de Emma Straub é do tipo que te conquista rápido e te faz criar empatia pelos personagens, mesmo que estes não sejam as melhores pessoas. É o tipo de livro que você não quer soltar até acabar e não consegue esquecer tão fácil. Nada demais acontece, mas nós entramos na cabeça dessas pessoas e tentamos entender suas motivações. Para quem gosta de histórias sobre pessoas ricas fazendo decisões estúpidas – e, vai por mim, é um tipo muito legal de livro – ou mesmo sobre famílias e seus problemas, é uma ótima leitura.

E aí, vamos tirar férias com os Posts?

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Sobre Lorena Pimentel

Paulistana que preferia ter mar, entusiasta do entusiasmo, Grifinória com medo de cachorros, defensora de orelhas pra marcar livros, não gosta de açúcar, colecionadora de instagrams com fotos de bebês, oversharer no twitter (@buzzedwhispers) e uma eterna vontade de ter nascido Rory Gilmore.