Os millennials e o sexo


Texto: Ariel Carvalho

O sexo sempre me fascinou. Mesmo antes de ter, de fato, aulas de Biologia, eu já achava um assunto interessantíssimo. Depois, quando virou o assunto mais falado – dentro e fora das salas de aula -, me encontrei mais fascinada ainda.

Mas logo percebi que eu era uma das únicas meninas que, aos 16 anos, falava sobre masturbação com a mesma naturalidade que meus amigos meninos, ou que tinha espaço em casa para conversar sobre esse mundo do sexo.

Outro assunto que me fascina é justamente o fascínio da mídia pelos millennials, seja questionando seu modo de vida, seja explicando por que os novos adultos não conseguem juntar dinheiro. Há um tempo, li um artigo que dizia que essa geração é a que menos faz sexo dos últimos 60 anos. Fiquei espantada: seria possível isso, numa época em que existem aplicativos como o Tinder?

Aparentemente, sim. E isso me fez pensar nas pessoas que eu conheço que fazem parte dessa geração e a maneira como elas viam o sexo. Será que ainda é tabu? O que de fato os millenials pensam a respeito do sexo?

“Eu já tive muitas ideias sobre sexo”, diz Sandro, “acho que no início eu pensava muito que tinha que ser aquilo do ‘momento certo’, o que hoje mudou muito pra mim. Eu só acho que precisaria estar confortável com uma pessoa”. Nada de sexo casual, então. “Eu acho que o sexo ainda é o ápice. Não dizendo que você precisa estar namorando alguém, mas eu ainda acho que é o ponto ápice. Eu preciso ter um convívio com a pessoa para conseguir chegar a esse ápice.”

Alice confessa: “eu fui criada em várias igrejas protestantes diferentes, sempre ouvindo que sexo antes do casamento é pecado. Isso me influenciou e eu cresci pensando que só ‘perderia a virgindade’ depois de casada”. Assim como Sandro, a visão mudou. “Comecei a achar que não precisava ser meu marido, mas que fosse alguém muito especial, e foi assim que aconteceu. Sexo, para mim, não é só gozar. É uma conexão, sabe? Com a pessoa que você ama, e é impossível se sentir mais próximo e íntimo”.

Já Sofia foi por um outro caminho: “Eu romantizei muito. Hoje em dia, eu não vejo mais o sexo como algo tão romântico, mas não quer dizer que seja algo ruim. Eu nem sei se eu gosto tanto desse romance todo (risos)”.

Além de crescermos cercados de concepções erradas sobre o que é o sexo, poucos de nós conseguimos conversar com nossos pais sobre o assunto. “Eu descobri o básico pela escola, naquele famoso ‘o pênis entra na vagina’, mas na real existe muito mais envolvido no sexo, entre duas pessoas”, diz Sandro. E os relatos de Alice e Sofia comprovam que essa é uma geração que aprendeu muito mais sobre sexo na escola ou com a ajuda da mídia, em novelas e filmes.

Não é uma geração que não faz sexo, mas sim que tem concepções a respeito do ato sexual diferentes daquelas que tinham nossos pais. Podemos até fazer menos sexo, mas acho, do auge dos meus vinte e poucos anos, que fazemos sexo melhor. As mulheres que entrevistei me disseram que, além da masturbação constante (“É muito importante se conhecer.”), tinham liberdade para discutir o que gostavam ou não com seus parceiros, e que vinham desconstruindo a ideia de que sexo é apenas o ato da penetração.

“A nossa sociedade superestima o sexo. Não é porque uma coisa é boa que ela é essencial pra vida”, resume Sandro. E parece que os outros millenials concordam. Assim como Bruna, que afirma que somos a geração do “se rolar, show. Se não rolar, também show”.

 

*Para preservar a privacidade dos entrevistados, os nomes foram modificados.

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Sobre Ariel Carvalho

Ariel é uma lua de Urano, um espírito do ar, um sabão em pó, uma marca de carro e uma pequena sereia, mas também é uma bibliotecária carioca que não consegue terminar a meta de leitura, sabe tudo de Monty Python e chora com filmes de ficção científica.