Os heróis do self care na arte – uma lista colaborativa


Todo mundo em algum momento precisou de arte. Talvez tenha sido um quadro que te fez suspirar, uma música que dá vontade de fugir para bem longe ou um livro que te faça sentir em casa.

A arte evoca sentimentos e podemos usá-la para sentir de novo e de novo. Quando precisamos de forças para um dia longo, existem sons para ignorar ou refletir sobre a vida. Se quisermos espantar a tristeza, podemos ser barulhentos e extravagantes numa festa de dança de emergência sozinhos. Ou até para viver a famosa bad, existe a trilha sonora perfeita para trazer as lágrimas.

A seguir, a equipe da Pólen recomenda seus remédios artísticos:

Para os dias tristes

Filme: “Cantando na Chuva” – Luísa Granato

Se eu preciso de uma dose de alegria pura e inocente, sempre sei que esse filme vai deixar meu coração quentinho. Se eu não tenho tempo e sinto que o dia vai ser complicado, só preciso assistir a sequência da música “Good Morning”. Ela me faz lembrar festas do pijama com as amigas ou os papos que tenho noite adentro com a minha irmã e minha mãe. Esse filme é cheio de personagens e momentos fofos e que transbordam felicidade.

Para as famigeradas bads

“Brick”, Ben Folds – Ariel Carvalho

Ao longo da minha vida, eu tive algumas músicas de bad, que me ajudaram a ficar mais tristinha para depois melhorar, mas nenhuma mexeu tanto comigo quanto “Brick”. É só ouvir o piano do Ben que eu já sinto as lágrimas descendo, mas sempre com a certeza de que ela vai me ajudar a melhorar. É uma música incrível com uma letra muito pessoal para o Ben Folds (ele escreveu para uma namorada da adolescência que engravidou e passou pelo processo de aborto), mas que acabou se tornando pessoal para mim também.

Para crises de ansiedade/tristeza

“1989 – Taylor Swift” – Analu

Da mesma forma que existem as famosas confort foods, tenho certeza que existem as confort arts, ou, no meu caso, confort musics. Não é que seja imutável, mas percebi que ultimamente, enquanto em crise, sentar no meu quarto e ouvir esse cd inteirinho, às vezes acompanhando com as letras no encarte, me deixa mais calma e mais alegre. Acho que o clima mais animado presente na maior parte das músicas, bem como a cartinha de apresentação dela para ele dizendo que ela se percebeu dona de sua própria vida e, principalmente, CORAJOSA, me deixam com um astral melhor.

Para choro preso e necessidade de desopilar tristezas

Vídeo “Lamentation”, coreografia e performance por Martha Graham (1930) – Raquel Thomé

Por considerar a Martha Graham uma mulher importante para a arte – na união de performance artística, dança e sensação – sempre busquei por apresentações da época em que ela era grande influenciadora do ato performático, como entrega do corpo e até mesmo da dor. Essa dança me dá a sensação de permissão por poder sofrer, me lamentar ou, em algumas ocasiões, entrar em movimentos psíquicos cíclicos que não me levam a nenhum lugar novo, apenas na repetição da tristeza. Para mim, este vídeo é uma porta de entrada para um lugar macio e escuro onde eu possa apenas ser e me esconder.

Pra ignorar a vida real e fingir que tá tudo bem

Playlist “Throwback Dance Party” no Spotify – Lorena

Primeiro porque é uma coleção de pop e R&B da minha adolescência, então tem a questão da nostalgia gostosa de ouvir Justin Timberlake e Black Eyed Peas. Depois que uma dance party, nem que sozinha no quarto, sempre me deixa um pouco mais feliz.

Para relaxar/meditar

Música: “Weightless”, Marconi Union – Nina Spim

Músicas instrumentais têm um efeito completamente calmante em mim. Dizem que essa música reduz 65% da ansiedade. E lá fui eu testar, enquanto medito. Ela propicia não só na mente, como também no corpo – em todas as partes -, o significado do título: é quase como se eu estivesse boiando num mar calmo, totalmente sem peso algum. Ouvir essa música é como entrar num lugar totalmente isento de todas as coisas/palavras/sensações tóxicas com as quais tive contato ao longo do dia.

Pra me sentir em casa

Livros: “Harry Potter” – Marina Vieira

Eu passei por muitas mudanças na vida, morei em mais de 20 casas e em quatro cidades, então é difícil eu me conectar a um senso de “raiz” ligado a um lugar físico. Por isso, quando me sinto vulnerável e perdida na vida, eu volto para produtos culturais que amo. Revejo episódios favoritos de séries, cenas de filmes e músicas que, pela lembrança, me transportam para um lugar de conforto, para um tempo em que eu me senti segura e feliz. Harry Potter é um dos mais recorrentes. JK estava certa quando disse que Hogwarts sempre estaria ali para nos acolher.

Para os momentos em que tudo parece estar dando errado

Filme: “A Vida Secreta de Walter Mitty” – Priscilla Binato

Talvez não seja uma sugestão tão boa assim, porque esse filme funciona para mim por ser o meu filme favorito. Mas, basicamente, sempre que eu estou com a sensação de que tudo ao meu redor está desabando, eu ligo esse filme e assisto, nem que seja somente um pedaço dele, e ele faz com que eu me sinta menos agoniada. Ver o Walter Mitty lidar com os problemas dele das maneiras mais adversas, literalmente viajando o mundo e lutando com tubarões por coisas tão banais faz com que eu coloque os meus próprios problemas em perspectiva e consiga me acalmar o suficiente para pensar que, no final, vai dar tudo certo.

Para acalmar quando estou em crise

Playlist: The Nu-Modern, do Spotify – Priscilla Binato

Essa playlist foi uma das melhores descobertas que eu fiz desde que assinei o spotify premium. Folk sempre foi um estilo que me acalmou muito, fazendo com que eu quase tivesse um relaxamento instantâneo, então encontrar uma playlist que tenha esse tom, ainda mais com melodias pesadas e artistas interessantes foi ótimo para mim. Essa playlist acabou me acompanhando sempre que eu preciso me concentrar ou quando eu me encontro em uma crise e não posso ir para um lugar seguro ou sair do lugar onde eu estou – especialmente no trabalho.

Para voltar a acreditar no amor

Playlist: She is Love, no Spotify – Odhara

Eu sou daquele tipo de pessoa que quando enfrenta um coração partido quer passar pelo luto com #estilo. Tem que ter muito rímel escorrido na cara, muito textão no diário, e eu preciso passar pelo menos um mês ouvindo músicas bem lamentosas. Mas eu percebi que mesmo quando o coração, ainda que aos trancos e barrancos, voltava a bater sem tropeçar por causa de quem foi embora, eu continuava a ouvir as mesmas músicas bads. Até que eu cansei e percebi que talvez pra ajudar o amor a chegar a gente precise estar de portas abertas pra ele. Fiz essa playlist e ela sempre me lembra que tem um monte de amor no mundo e isso sempre aquece meu coraçãozinho, mesmo quando as feridas voltam a sangrar.

Para ter fé na humanidade

SERUMANO: Amanda Palmer – Odhara

Você pode escolher a palestra dela no Ted, ou então ler o livro que ela escreveu baseada naquela fala, ou então ouvir as suas músicas (The Killing Type é a que eu mais escuto quando preciso recuperar o amor pelos seres humanos). A Amanda Palmer representa os valores que me são mais caros: a empatia, a bondade e a vulnerabilidade. Quando fica áspero continuar acreditando nessas coisas, eu me lembro de toda a arte que ela gentilmente cedeu ao mundo. A gravidade volta pro lugar quando a gente percebe que não tá sozinho e andar fica mais fácil.

Compartilhe:

Sobre Luisa Granato

Luísa é jornalista e eterna potterhead. Sua casa é a grifinória, mas ela lê como uma corvinal e podia ser a Luna Lovegood. Viajante (inclusive do espaço e do tempo), ela ama ficção científica e histórias fantásticas.