O relacionamento nada clichê de Han e Leia


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Esse post contém alguns spoilers.

Nas primeiras vezes em que assisti Star Wars, não percebi qual era a graça do casal principal, aquele queridinho de todo mundo. Sendo sincera, fiquei até bem incomodada com várias das cenas românticas entre Han Solo e Leia Organa.

Preciso dizer que eu era bastante boba, e também achava a Leia muito reclamona. Mas ainda bem que as coisas mudam e eu assisti o filme mais um milhão de vezes, porque eu me arrependeria muito de não amar esse casal tão lindo.

Assim como Organa e Solo, eu passei de um odio enfurecedor pelo casal e fui direto para um amor extremo. Hoje, vendo as cenas deles, eu sinto borboletas no estômago. Nos trailers, enquanto meus amigos procuravam Luke Skywalker, lá estava eu buscando Han e Leia.

Harrison Ford e Carrie Fisher atuam muito bem nos filmes, criando uma tensão entre os dois personagens que te deixa tão impaciente que a vontade é levantar do sofá e gritar: “AGORA BEIJEM!”.

Apesar de não fazer ideia de como eu comecei a amar tanto essa dupla, eu me recordo de achar estranho todo esse amor. Eu, que cresci apaixonada por princesas da Disney e comédias românticas, não conseguia entender como esse relacionamento, tão fora dos padrões, me interessava.

Só bem depois é que fui perceber que era exatamente isso que me atraía no “Canalha” e na Princesa. A falta de clichês no relacionamento dos dois, quão real tudo aquilo parecia.

 

Nas telas

No primeiro filme (ou o quarto, se falarmos na cronologia dos filmes), os dois mal se conhecem e já começam a fazer algo que se torna a grande marca registrada deles: discutir. São várias as discussões, acontecendo quase o tempo todo. Dessas discussões, surgem aqueles apelidos carinhosos como o clássico “nerf herder”.

Eu acredito que os sentimentos de um pelo outro logo nesse primeiro encontro já eram de afeto. Mas Leia se mostra durona, e Han é um tanto quanto orgulhoso, então ninguém diz nada. No começo, aliás, Solo age como se não sentisse nada por Leia, mas qualquer um percebia que ali tinha mais do que só uma amizade.

Um dos pontos altos desse filme, para mim, é quando Han vai receber a condecoração e ele pisca para ela. QUE CASAL, senhoras e senhores!

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A partir do segundo filme, as coisas mudam de figura, com direito até à interação mais famosa entre os dois: o “eu te amo” de Leia e o “eu sei” de Han. Mas é no último filme que parece que tudo está finalmente do jeito que meu coração queria. Leia vai resgatar Han, os dois se beijam. Nada mais de mal entendidos, nada de fingir que ninguém sente nada por ninguém.

 

No Universo Expandido

O Universo Expandido de Star Wars é um lugar um pouco complicado de se navegar, e sempre há discussões do que pode ser considerado ou não canônico, mas eu sou defensora de que as histórias pertencem às pessoas, então vai depender de cada um.

Dito isso, acredito que “The Courtship Of Princess Leia” seja canônico sim. Apesar das enormes críticas, de dizerem que os personagens tem uma caracterização ruim, eu adoro esse livro. O que chamam de caracterização fraca, eu considero como um lado dos personagens que ainda não tínhamos visto. Temos Han Solo apaixonado e louco de ciúmes, Leia indecisa e insegura.

Esse livro é um prato cheio para quem gosta dos dois, e é extremamente gostoso ver Han tentando, de qualquer forma, fazer Leia perceber que ele é um bom candidato a marido.

“Tatooine Ghost”, que se passa seis meses depois de “Courtship…”, traz de volta as maiores características desse relacionamento, aquelas dicussões gostosas e os apelidos lindos, Leia durona e Han incapaz de ceder.

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É interessante que, nos filmes, não é dito em momento algum que os dois são um casal, são namorados. Ninguém se rotula ali e, mesmo assim, fica implícito que eles se amam e querem estar juntos.

Outra questão que eu sempre percebo é o tom de voz. Leia está quase sempre brigando, discutindo com alguém, com o tom de voz erguido. Quando ela esta conversando com Han, sua voz se suaviza, num tom íntimo (o mesmo vale para ele, aliás).

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Talvez o mais importante desse romance seja o respeito mútuo. Ela é durona, ele é canalha, mas nenhum deles tenta mudar pelo outro. Perto dele, ela não se diminui, e eles não tentam esconder suas verdadeiras personalidades. Mesmo brigando, discutindo e se desentendendo, o que fica é o respeito pela individualidade e pelo que os faz eles mesmos.

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Sobre Ariel Carvalho

Ariel é uma lua de Urano, um espírito do ar, um sabão em pó, uma marca de carro e uma pequena sereia, mas também é uma bibliotecária carioca que não consegue terminar a meta de leitura, sabe tudo de Monty Python e chora com filmes de ficção científica.