O que dirá o mundo agora?


Há alguns anos, não sei bem como, eu descobri o blog de uma fotógrafa super jovem. Acho que na época ela devia ter uns 19 anos e lembro que, logo na descrição, ela falava não só sobre as consequências de ter montado uma carreira tão jovem como também sobre a revolta das pessoas por ela ser mãe tão nova. Mas diferente do que você possa imaginar, ela teve uma filha com o namorado simplesmente porque ela queria ter uma filha assim nova e poder aproveitar os momentos juntos e tudo mais.

Lembro que eu fiquei emocionada lendo um post em que ela falava sobre o preconceito que sofria por ter feito essa escolha e também contava como isso em nenhum momento afetava diretamente a carreira dela e sua forma de trabalhar. Para uma menina que ganhou um prêmio de fotografia e com 16 anos estava comandando uma campanha da Diesel, ela me parecia mais pé no chão do que eu.

Enfim, alguns anos se passaram e eu mudei de cidade e comecei a morar com o meu namorado e com isso voltou toda aquela pressão da sociedade. Primeiro eu tive que escutar que eu tinha que casar sim, porque na visão de Deus eu estava vivendo o pecado. Sério, tive vontade de rir. Eu não sou de julgar a religião de ninguém, mas eu simplesmente não entendo qual é a necessidade das pessoas de querer nos colocar sempre em potinhos marcados com classificações pré-escolhidas.

Antes mesmo de me mudar, em uma conversa com a minha mãe, eu falei que não pensava em me casar ainda, porque na minha cabeça eu tinha que fazer um test drive de pelo menos 2 anos morando junto pra ter certeza que era isso mesmo que eu queria e para a minha surpresa, sabe o que ela disse? É, não tem pra quê apressar as coisas não, fala pras pessoas que se amancebou e pronto!

Meses depois, começou a rolar aquele eterno processo de “Mas e os filhos?” e mais uma vez eu tive que ouvir loucuras como: “Ah, mas tem que ter filho sim, pra passar a tradição e o nome da família” e ao insistir que ter filhos não estava nos meus planos pra agora ou talvez pra sempre, ainda ouvi: “Uma amiga também dizia isso e quando resolveu ter sofreu bastante porque tomava anticoncepcional há 14 anos”. Sério? Qual é a necessidade disso?
Mais uma vez, minha mãe foi um suspiro em toda a loucura e ao ouvir sobre isso disse apenas: Não quer ter filhos, não tenha mesmo não! Não vale a pena não. Brincando claro, mas com um fundo de verdade, minha mãe resumiu bem o que a Jout Jout falou um dia desse em um vídeo: pra quê continuar colocando crianças no mundo por pressão social só pra depois encher o mundo de gente infeliz filhos de pais que não tinham certeza se era isso mesmo que eles queriam?

Refletindo sobre tudo isso, voltei a pensar na Nirrimi e em como a sociedade bipolar não aceita que sejamos qualquer coisa além do que eles querem. Se você sonha em ter filhos e vai lá e tem um por vontade própria aos 19 anos, você é louca. Se você chega nos seus 24 e ainda não casou e nem pensa em ter filhos, é louca também!

Talvez daqui a uns anos ou até mesmo meses eu mude de ideia e veja que tudo que eu quero na vida é isso e me descubra uma mãe maravilhosa, mas até lá eu quero usufruir do grande foda-se que a minha geração vem dando pra sociedade e simplesmente escolher viver independente das milhares de pessoas nos pressionando pra ser qualquer coisa além de feliz.

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Sobre Maynnara Jorge

Maynnara é paraibana, mas atualmente mora em São Paulo. Formada em Jornalismo e Produção de Moda. Ama ler, escrever e sente falta dos seus dois cachorros que ficaram na sua cidade. Ela também está no twitter como @maynnara_

  • Maynnara Jorge

    Nossa SIM! Cada dia venho perdendo mais a minha vontade de ter filhos e é muito difícil lidar com a reação das pessoas, mas no geral eu tento só fingir que não escuto e continuar vivendo, não vale a pena fazer nada que não queremos pra alimentar uma pressão social.

    Obrigada pelo comentário <3

  • Polie

    Engraçado que hoje estava conversando sobre o assunto de ter filhos ou não. A cada dia percebo que não quero ser mãe e também não sei se vou mudar esse sentimento/pensamento/etc, mas é interessante como as pressões te atingem quando você anuncia isso em voz alta.
    Parabéns pelo texto!